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Condecorado por Bolsonaro, Weintraub volta a associar ação da PF ao nazismo

Weintraub vem sendo repudiado por entidades da comunidade judaica por declarações que, segundo os judeus, banalizam o Holocausto - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Weintraub vem sendo repudiado por entidades da comunidade judaica por declarações que, segundo os judeus, banalizam o Holocausto Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

29/05/2020 15h36Atualizada em 29/05/2020 16h08

No dia em que foi condecorado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com a Ordem do Mérito Naval, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, voltou a associar ao nazismo à operação da Polícia Federal deflagrada na última quarta-feira (27), no âmbito do inquérito das fake news.

"Primeiro prenderam quem defendia a liberdade. Depois, a grande mídia nazista, dos poderosos, afirmava: 'O Holocausto não existe'. Lutar pela liberdade de expressão? De opinião, de pensamento, de informação? 'Bobagem, peguem a senha e aguardem na fila'", escreveu o ministro em seu perfil no Twitter.

Weintraub vem sendo continuamente repudiado por entidades e representantes da comunidade judaica por declarações que, segundo os judeus, banalizam o Holocausto. Ontem, mesmo após receber inúmeras reações negativas, o ministro disse ter "direito de falar do Holocausto" e citou até os avós judeus.

"Não falem em nome de todos os cristãos ou judeus do mundo. Falo por mim! Tive avós católicos e avós sobreviventes dos campos de concentração nazistas (foto). Todos eram brasileiros. Tenho direito de falar do Holocausto! Não preciso de mais gente atentando contra minha liberdade!", publicou Weintraub.

Na quarta-feira, também em seu perfil no Twitter, Weintraub já havia dito que a operação da PF, que investiga ataques a integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal), será lembrada como a "Noite dos Cristais brasileira".

A "Noite dos Cristais" foi uma das primeiras ações violentas contra os judeus cometidas pelos nazistas nos dias 9 e 10 de novembro de 1938. O nome faz referência aos estilhaços que encheram as ruas depois que janelas de lojas, edifícios e sinagogas judaicas foram quebradas.

"Hoje foi o dia da infâmia, vergonha nacional, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira. Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? Sieg heil!", escreveu o ministro, que ilustrou a publicação com uma foto da Alemanha nazista.

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