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Se houvesse intervenção, deveria ser para proteger o Supremo, diz Reale Jr

Do UOL, em São Paulo

04/06/2020 11h45Atualizada em 04/06/2020 15h11

O ex-ministro da Justiça do governo FHC, Miguel Reale Jr, afirmou hoje no UOL Debate que se for necessária uma intervenção militar, ela deve acontecer para proteger o Supremo Tribunal Federal (STF). A colunista do UOL Thaís Oyama mediou o encontro, que teve ainda a participação de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça nos governos de Dilma Rousseff (PT).

Segundo Reale, com "as ameaças pessoais que têm sido feitas a ministros do Supremo, inclusive à frente de suas residências, se fosse para haver alguma intervenção seria para proteção dos ministros do Supremo".

Reale também avalia que a Constituição não abre espaço para uma intervenção militar sobre outros Poderes. "O artigo 142 não autoriza que as Forças Armadas se coloquem como poder moderador, as Forças Armadas são força de serviço à Constituição, ao estado de direito", declara. O jurista foi um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma.

Aliados de Jair Bolsonaro defendem que o presidente poderia usar o artigo 142 da Constituição para promover uma intervenção nos outros Poderes.

Bolsonaro teme que movimento das ruas, diz Reale Jr.

O jurista também criticou a posição do presidente Bolsonaro ao caracterizar os manifestantes que participaram de um ato na avenida Paulista no último domingo de "terroristas".

Reale atacou um comportamento na sua visão vitimista por parte de Bolsonaro. "O presidente gosta de se vitimizar, dizer que está sendo perseguido, à beira do abismo, porque há decisões que o desgostam", afirmou.

Participaram dessa cobertura Alex Tajra, Beatriz Sanz, Fabio Regula, Talyta Vespa e Stella Borges (redação) e Diego Henrique de Carvalho (produção).

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