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Wassef dizia não saber onde estava Queiroz e que ele "poderia aparecer"

Do UOL, em São Paulo

18/06/2020 16h01Atualizada em 18/06/2020 18h07

O advogado Frederick Wassef, que tem relação íntima com a família Bolsonaro e mantinha Fabrício Queiroz em uma casa sua, em Atibaia-SP, há cerca de um mês disse ao UOL que Queiroz "poderia aparecer".

"Eu também acho que ele [Queiroz] poderia aparecer, a gente só não pode esquecer que ele quase morreu, teve um câncer. As pessoas falam muito desta história, 'cadê Queiroz, cadê Queiroz', mas esquecem de dar os detalhes que aconteceram na época dos fatos", falou Wassef em entrevista ao UOL no último dia 20.

Fabrício Queiroz é ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e foi preso hoje (18). Um delegado da Polícia Civil de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, disse ao canal Globo News que Queiroz estava na casa que pertence a Frederick Wassef há cerca de um ano. Já o caseiro do imóvel afirmou à CNN Brasil que Queiroz havia chegado no local "há pouco dias".

Na entrevista do mês passado, Frederick Wassef também reclamou da velocidade do andamento da investigação sobre movimentação financeira atípica de Queiroz, que é amigo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde 1984.

"O que tem de irregular, se formos analisar, era o procedimento do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPF-RJ), que trabalhou em uma velocidade que eu nunca vi na minha vida para ouvir o Queiroz. Lembro de ver o Ministério Público trabalhar durante o Natal, até depois do Réveillon, com uma velocidade, uma ânsia que nunca vi", reclamou Wassef na ocasião.

Em setembro do ano passado, Frederick Wassef disse não saber onde Queiroz estava. "Não sei, não sou advogado dele", disse Wassef em entrevista entrevista à Globo News, quando questionado sobre o paradeiro de Queiroz.

Ainda em 2019, o senador Flávio Bolsonaro também alegou não saber onde seu ex-assessor estava. "Não o vejo há muito tempo, não falo com ele há muitos anos", afirmou em uma entrevista à revista Época.

Frederick Wassef é advogado tanto de Jair Bolsonaro quanto de Flávio Bolsonaro. Segundo depoimento do empresário Paulo Marinho à Polícia Federal e ao MPF-RJ, ainda em 2018 um delegado da PF teria vazado para Flávio a existência de uma investigação contra o ex-assessor Fabrício Queiroz — no caso, a Operação Furna da Onça. Um relatório da própria PF indicou este vazamento de informações.

Batizada de Anjo, a operação que prendeu Queiroz também cumpre outras medidas autorizadas pela Justiça relacionadas ao inquérito que investiga suposto esquema de "rachadinha", em que servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) devolveriam parte de seus salários ao então deputado Flávio Bolsonaro, que exerceu mandato de 2003 a 2019.

Quem é Fabrício Queiroz

Queiroz já foi policial militar e é amigo do presidente Bolsonaro desde os Anos 1980. Reformado na PM, ele trabalhou como motorista e assessor de Flávio, então deputado estadual pelo Rio.

Queiroz passou a ser investigado em 2018 após um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicar "movimentação financeira atípica" em sua conta bancária, no valor de R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Ele foi demitido por Flávio pouco antes de o escândalo vir à tona.

O último salário de Queiroz na Alerj foi de R$ 8.517, e ele teria recebido transferências em sua conta de sete servidores que passaram pelo gabinete de Flávio. As movimentações atípicas levaram à abertura de uma investigação pelo MP (Ministério Público) do Rio.

Uma das transações envolve um cheque de R$ 24 mil depositado na conta da hoje primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente, na época, se limitou a dizer que o dinheiro era para ele, e não para a primeira-dama, e que se tratava da devolução de um empréstimo de R$ 40 mil que fizera a Queiroz. Alegou não ter documentos para provar o suposto favor.

Em entrevista ao SBT em 2019, Queiroz negou ser um "laranja" de Flávio. Segundo ele, parte da movimentação atípica de dinheiro vinha de negócios com a compra e venda de automóveis.

"Sou um cara de negócios, eu faço dinheiro... Compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro. Sempre fui assim", afirmou na ocasião.

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