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Política

Filhos só atrapalham e podem acabar com mandato de Bolsonaro, diz Olimpio

Do UOL*, em São Paulo

18/06/2020 14h38

Para o senador Major Olimpio (PSL-SP), líder do partido no Senado, os filhos do presidente só atrapalham o governo federal e podem acabar com o mandato de Jair Bolsonaro (sem partido). A declaração foi dada ao colunista do UOL Tales Faria em entrevista na tarde de hoje.

"Pode [acabar com mandato do pai], para a minha tristeza. Acho que a única coisa que pode atrapalhar muito o mandato ou uma reeleição é isso [a atuação dos filhos]. Na época em que um deles queria ser embaixador nos EUA, porque tinha fritado bem batata lá, o Eduardo [Bolsonaro, deputado federal], eu disse à imprensa: 'dá uma embaixada para cada um e fica barato para o país, vai ser uma tranquilidade", declarou.

No mesmo dia, ele afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) ligou para gritar com ele e que o pai tomou o telefone da mão do filho.

"Essa foi a verdade que se passou. Foi uma coisa mal feita de filho. Passei a ser o traíra, porque ele queria que eu retirasse assinatura da CPI da Lava Toga. Isso são verdade irrefutáveis", afirmou.

"Em audiência antes disso, ele [Flávio] me pediu pessoalmente. Vai dizer que não pediu, mas pediu. Fiquei enojado com a política em função dessas coisas. Me desiludi, não quero mais disputar cargo público na vida. Sempre manifestei o desejo de disputar o governo de São Paulo, mas não dá", acrescentou.

"Tenho certeza que [os filhos] só atrapalham. Muitos dos problemas que têm o presidente e muito do que perturba o presidente o tempo todo está afeto diretamente a ações ou omissões dos seus filhos", afirmou. "Cada um tem um mandato parlamentar e deveria exercer nas suas esferas", complementou.

Olimpio disse ver normalidade na decisão de Bolsonaro tentar defender o filho Flávio, que viu seu ex-assessor Fabrício Queiroz ser preso hoje, mas ponderou: "O presidente Bolsonaro foi escolhido por mais de 57 milhões de pessoas. Não dá para fazer comparações ou fazer escolha de Sofia. É tudo marmanjo, barbado, que tem que ser responsável, sim, e prestar contas, cada um em suas obrigações".

Envolvimento com Queiroz

Questionado sofre o caso Queiroz, Olimpio disse que é preciso esperar o andar das investigações.

"Não vou ser leviano de fazer afirmações do que ainda está dentro de um contexto de investigações. Do que eu conheço e que também é do conhecimento público, esse Queiroz, ele tem sim envolvimentos com essa situação de fazer com que parte de salários de funcionários, a chamada rachadinha, fosse recolhido por ele. E que há investigações se o então deputado Flavio Bolsonaro levava vantagens ou tinha como destinatário parte ou o todo desses recursos", afirmou.

"Com relação à vinculação com milícias, é uma coisa que tem que ser analisado com certa cautela. O Fabrício Queiroz foi tido como um policial de rua, arrojada, linha de frente no combate ao crime, daí o que me parece até o gosto ou a amizade com o próprio Jair Bolsonaro há muitos anos", disse.

Gabinete do ódio

Questionado se acha que existe o chamado gabinete do ódio, o senador afirmou não ter dúvidas de que sim, apesar de não saber se há uma estrutura física instalada para o funcionamento deste grupo.

O gabinete do ódio seria uma estrutura que funcionaria desde o Palácio do Planalto e seria comandada pelo filho do presidente e vereador no Rio, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), para comandar ataques a opositores e defesa do presidente nas redes sociais.

Ele, que se disse vítima das fake news, questionou até que ponto vai a liberdade de expressão e quando começam os crimes contra as instituições.

"Tem um despacho de mobilização permanente e coordenada, na minha visão, pelo [vereador] Carlos Bolsonaro [Republicanos-RJ], filho do presidente... Tem. A apuração agora é para saber se há utilização de estrutura física do poder público para esse tipo de ação, se tem servidores nomeados, se há computadores, máquina pública. Mas que existe gabinete do ódio, existe", reforçou.

*Texto de Anaís Motta, Emanuel Colombari e Luís Adorno. Produção de Diego Henrique de Carvalho

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