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Bolsonaro virou o principal adversário do governo dele, diz Major Olimpio

Do UOL*, em São Paulo

18/06/2020 14h16Atualizada em 17/07/2020 12h26

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se transformou no principal adversário de seu próprio governo e, muitas vezes, faz pronunciamentos que em nada contribuem para a estabilidade da gestão. Esta é a avaliação de Major Olimpio (SP), líder do PSL no Senado, feita hoje durante entrevista ao colunista do UOL, Tales Faria.

"Fazendo uma avaliação de todas as áreas [do governo], eu vejo um desempenho bom. Poderia ser melhor. Esperava que fosse melhor. Agora, o presidente Jair Bolsonaro... Vejo que ele acabou se transformando no principal adversário do governo dele no momento em que toma atitudes ou faz pronunciamentos que em nada contribuem para a estabilidade", disse o senador.

Segundo Olimpio, as declarações de Bolsonaro se confrontam com as próprias politicas públicas que estão em andamento no seu governo. Ele citou como exemplo a recomendação do Ministério da Saúde para o isolamento social, medida para conter o avanço do novo coronavírus, além das duas trocas de ministro na pasta — primeiro, Luiz Henrique Mandetta; depois, Nelson Teich.

"O presidente já trocou dois ministros da Saúde em 27 dias. Ele se colocou frontalmente contra a política estabelecida pelo próprio ministério, e que, no papel, continua sendo a política que está implantada pelo ministério. Também houve algumas manifestações, condutas ou crises com os poderes, seja com o Congresso, seja com o Judiciário", lembrou.

O senador ainda pontuou que Bolsonaro toma para si algumas brigas, como a recente quebra de sigilo bancário de 11 parlamentares bolsonaristas determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Não está sequer discutindo-se vínculo ou participação do presidente [em algum crime], mas ele toma para si e faz manifestações. Ele pode ter um juízo de valor, mas tem que se portar de forma isenta", argumentou.

Olimpio, porém, se disse "preocupado" com essas quebras de sigilo, apesar de desconhecer o conteúdo das investigações.

"Me preocupo se tem as garantias constitucionais. Não me interessa se concordo ou não com eles [parlamentares bolsonaristas]. Mas as manifestações do presidente acabam criando um tumulto maior para o próprio governo", completou.

Gabinete do ódio

Questionado se acha que existe o chamado gabinete do ódio, o senador afirmou não ter dúvidas de que sim, apesar de não saber se há uma estrutura física instalada para o funcionamento deste grupo.

O gabinete do ódio seria uma estrutura que funcionaria desde o Palácio do Planalto e seria comandada pelo filho do presidente e vereador no Rio, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), para comandar ataques a opositores e defesa do presidente nas redes sociais.

Ele, que se disse vítima das fake news, questionou até que ponto vai a liberdade de expressão e quando começam os crimes contra as instituições.

"Tem um despacho de mobilização permanente e coordenada, na minha visão, pelo [vereador] Carlos Bolsonaro [Republicanos-RJ], filho do presidente... Tem. A apuração agora é para saber se há utilização de estrutura física do poder público para esse tipo de ação, se tem servidores nomeados, se há computadores, máquina pública. Mas que existe gabinete do ódio, existe", reforçou.

*Texto de Anaís Motta, Emanuel Colombari e Luís Adorno. Produção de Diego Henrique de Carvalho

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