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Bolsonaro mostra cloroquina para apoiadores no RS e causa aglomeração

Presidente foi recebido por dezenas de apoiadores na chegada a Bagé (RS) - Tiago Rolim de Moura/Estadão Conteúdo
Presidente foi recebido por dezenas de apoiadores na chegada a Bagé (RS) Imagem: Tiago Rolim de Moura/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo*

31/07/2020 13h33Atualizada em 31/07/2020 19h44

Resumo da notícia

  • Um dia depois de cumprir agenda no Nordeste, presidente foi hoje ao Rio Grande do Sul
  • Dentro de plano para associar imagem a realizações, presidente anunciou que "não é para deixar obra parada"
  • Recuperado da covid-19, presidente causou aglomerações e mostrou caixa de cloroquina a apoiadores
  • Equipe da Vigilância Sanitária foi deslocada para fiscalizar uso de máscara e aferir temperatura dos presentes
  • Ao contrário de ontem, quando esteve na Bahia e no Piauí, presidente manteve a máscara durante toda a agenda

Após cumprir agenda ontem no Nordeste, Jair Bolsonaro (sem partido) chegou hoje pela manhã à região Sul. Ao desembarcar do avião presidencial em Bagé (RS), o presidente encontrou apoiadores e causou aglomerações, ignorando as recomendações de distanciamento social pela pandemia do novo coronavírus e aproveitando para mostrar uma caixa do medicamento cloroquina a dezenas de pessoas que o aguardavam.

O presidente tem cumprido seus primeiros compromissos fora de Brasília após se curar da covid-19. Enquanto ontem Bolsonaro foi visto em diversos momentos sem máscara, inclusive quando discursava em uma inauguração na cidade de Campo Alegre de Lourdes (BA), hoje o presidente manteve a proteção durante a maior parte do tempo.

Ontem, o presidente revelou em transmissão nas suas redes sociais que havia sentido uma fraqueza e estaria com uma infecção que classificou como "mofo no pulmão".

Logo que chegou a Bagé, ele vestiu uma máscara que homenageava a cidade. O presidente interagiu com os apoiadores ao deixar o avião e depois seguiu para a inauguração de uma escola cívico-militar, onde novamente causou aglomerações.

A aglomeração de pessoas era uma das preocupações das autoridades de saúde do município. Uma equipe da Vigilância em Saúde e de profissionais de saúde foi deslocada para o local para cobrar a obrigatoriedade, prevista em decreto municipal, do uso da máscara. Os agentes também distribuíram álcool em gel e checaram a temperatura dos presentes.

Na frente da escola, apoiadores chegaram a entoar o hino nacional enquanto esperavam pela saída do presidente. Já na sua chegada ao aeroporto, dezenas gritavam "mito" enquanto Bolsonaro mostrava a caixa de cloroquina.

O presidente tem constantemente feito propaganda do medicamento. Ele diz que utilizou o remédio no tratamento da doença causada pelo coronavírus e que a prescrição o ajudou a se curar, mesmo ainda não havendo comprovação científica da eficácia contra a covid-19.

Grande defensor da cloroquina desde o início da pandemia no país, Bolsonaro tem repetidamente mostrado uma caixa do medicamento a apoiadores nos últimos dias. Ainda enquanto se recuperava da covid-19, ele chegou a ser flagrado mostrando o remédio para uma ema no Palácio da Alvorada.

A visita a Bagé também serviu para Bolsonaro, ao lado do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, participar da cerimônia de entrega das chaves de 1.164 moradias para famílias de baixa renda na cidade. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, mais de 4,6 mil pessoas serão contempladas com novas residências. O investimento é de R$ 87,3 milhões do programa de habitação popular do Governo Federal.

Retorno da agenda positiva

Após duas semanas de isolamento para tratar-se da infecção pelo novo coronavírus, o presidente iniciou ontem uma agenda por três estados numa tentativa de atrelar sua imagem a realizações e mudar a imagem de seu governo. O plano, concebido junto aos generais que formam o alto escalão, é realizar mais deslocamentos durante o segundo semestre, sobretudo em cidades nas quais o governo não tem boa avaliação de acordo com as pesquisas de opinião. O Nordeste, reduto eleitoral do PT, é exemplo disso.

O cronograma de viagens já estava definido antes do diagnóstico positivo para covid-19, revelado em 7 de julho, e teve que ser adiado em razão da necessidade de isolamento social. Durante o período em que ele ficou recluso no Alvorada, o presidente manteve conversas com ministros e aliados para afinar as estratégias e debater a possibilidade de novos destinos.

Hoje, em Bagé, o presidente ressaltou que "não é para deixar obra parada" e que "pelo menos uma vez por semana" sairá de Brasília para viajar.

"O que eu sempre falei com meu ministro, o Marinho, é não deixar obra parada. Temos problemas de orçamento, temos, estamos tentando arranjar recursos para que as obras sejam concluídas", disse.

*Com informações da Agência Estado

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