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Covid-19: Bolsonaro compartilha notícia falsa de que STF o impediu de agir

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tira máscara ao visitar a Ponte dos Barreiros, em São Vicente, no litoral paulista - Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tira máscara ao visitar a Ponte dos Barreiros, em São Vicente, no litoral paulista Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

11/08/2020 08h50Atualizada em 11/08/2020 10h48

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou em sua rede social um vídeo no qual o comentarista Milton Cardoso, da afiliada da Band em Porto Alegre, critica as medidas de combate ao coronavírus adotadas pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e transmite desinformação sobre a doença.

No vídeo, o comentarista diz que "tiraram os poderes do chefe da nação" e que a "vontade do presidente" de fazer o isolamento vertical foi ignorada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

No dia 15 de abril, o Supremo decidiu que, além do governo federal, os governos estaduais e municipais passariam a ter poder para determinar suas regras de isolamento social e restrição de transporte em razão da epidemia.

Na ocasião, o STF julgava uma ação do PDT contra uma medida provisória do presidente que tinha por objetivo concentrar no governo federal o poder de editar regras sobre o tema.

Bolsonaro sempre foi contrário ao isolamento social e criticou Mandetta, estados e municípios que adotaram a medida, recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e por especialista de todo o mundo para evitar a propagação da covid-19.

Na avaliação do comentarista da Band, no entanto, Mandetta é um "marqueteiro". Ele se queixou das recomendações do então ex-ministro para que a população só procurasse hospitais se estivessem com falta de ar combinada a outros sintomas.

Na época, essa recomendação buscava evitar a superlotação do SUS (Sistema Único de Saúde) e os riscos de pessoas sem a doença acabarem contaminadas por irem aos hospitais.

O colunista também defendeu o tratamento da doença com azitromicina e hidroxicloroquina, combinadas. Bolsonaro foi duramente criticado durante o período em que esteve contaminado pelo coronavírus por defender em suas redes sociais o uso dos remédios e por concluir que sua cura se deveu aos medicamentos.

A mando de Bolsonaro, o Ministério da Saúde também publicou em maio um protocolo recomendando aos médicos do SUS (Sistema Único de Saúde) que receitassem os compostos a pacientes em estágio inicial de contágio, o que é desaconselhado pelo CNS (Conselho Nacional de Saúde) e SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

As entidades afirmam que falta comprovação científica para ao uso desses medicamentos em pacientes com covid-19 e que seu uso precoce pode trazer riscos à saúde do coração.

Milton Cardoso

O comentarista da afiliada da Band no Rio Grande do Sul também comanda um programa de rádio da mesma emissora na cidade. Ele virou notícia em março deste ano, quando mandou cortar o microfone de um convidado.

O deputado estadual Fábio Ostermann (Novo-RS) teve a fala interrompida enquanto criticava a política de repressão às drogas. Depois de impedir a argumentação do entrevistado, Cardoso chamou o parlamentar de "imbecil".

"Tu não tem responsabilidade. Defendendo drogas nos dias de hoje. Tu não tem experiência nenhuma de vida. Tu é um coitado, um imbecil e com mandato", disse o radialista.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.