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Meio Ambiente

Bolsonaro faz "homenagem" à Amazônia e omite recorde de desmatamento

Bolsonaro omite dados sobre desmatamento e diz que Brasil é o que mais preserva - ADRIANO MACHADO
Bolsonaro omite dados sobre desmatamento e diz que Brasil é o que mais preserva Imagem: ADRIANO MACHADO

Do UOL, em Brasília

05/09/2020 14h16

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que "o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente" ao exaltar hoje o Dia da Amazônia (5 de setembro), em vídeo divulgado nas redes sociais. Ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do deputado federal Frederico D'Ávila (PSL-SP), o governante disse ainda que "a Amazônia é nossa" e que "nós [governo] vamos desenvolvê-la".

"Afinal de contas, lá existem mais de 20 milhões de pessoas que não podem ficar desamparadas", completou ele. O vídeo foi feito durante a passagem do presidente pela cidade de São Paulo, na manhã de hoje, pouco depois de uma visita às obras do aeroporto de Congonhas.

Bolsonaro não mencionou, por outro lado, que o Brasil encerrou o mês de agosto com o segundo pior resultado de queimadas na Amazônia dos últimos dez anos.

Com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S.Paulo" mostra que foram registrados 29.307 focos de calor no mês passado, volume bem acima da média histórica de 26 mil focos para este mês e apenas 5% inferior aos alarmantes 30.900 registrados no mesmo mês de 2019.

Segundo a organização Observatório do Clima, é preciso ainda relativizar o número do mês passado, porque uma pane no satélite de referência usado pelo Inpe, o Aqua, fez com que parte da Amazônia não fosse observada no dia 16, produzindo um número anormalmente baixo de detecções.

Heleno critica Cármen Lúcia

Ministro da cúpula do Palácio do Planalto e chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o general Augusto Heleno foi ao Twitter hoje para criticar a ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O militar não gostou de uma decisão da integrante da Corte, que acolheu pleito do PV (Partido Verde) e, na quinta-feira (3), solicitou que o governo preste informações sobre a atuação das Forças Armadas em ações contra o desmatamento na Amazônia.

Na rede social, Heleno reagiu com ironia e, de forma indireta, afirmou que a ministra desconhece a região.

A Min Carmen Lúcia, do STF, acolheu ação de um partido político e determinou que Pres Rep e Min Defesa expliquem o uso das F Armadas, na Amazônia. Perdão, cara Ministra, se a Sra conhecesse essa área, sabe qual seria sua pergunta: "O que seria da Amazônia sem as Forças Armadas?"

-- General Heleno (@gen_heleno) September 5, 2020

Na manifestação de Cármen Lúcia, as cobranças são destinadas a Bolsonaro e ao ministro da Defesa, general Fernando Azevedo. Ela deu cinco dias de prazo para que as informações sejam enviadas ao STF.

A ação que originou a decisão é de autoria do PV e argumenta que o uso das Forças Armadas na Amazônia por meio de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) seria inconstitucional.

O decreto do presidente que autoriza o emprego dos militares abrange ações subsidiárias na faixa de fronteira, nas terras indígenas, nas unidades federais de conservação ambiental e em outras áreas federais nos Estados da Amazônia Legal. A operação recebe o nome de "Verde Brasil 2".

Para os representantes do PV, sigla que tem o ambientalismo como bandeira política, o trabalho das Forças Armadas na Amazônia "promove verdadeira militarização da política ambiental brasileira, em flagrante confronto aos ditames constitucionais e usurpando competências dos órgãos de proteção ambiental, especialmente o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)".

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