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PDT aciona STF para Bolsonaro explicar acusação contra índios em queimadas

Discurso de Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU - Reprodução/YouTube
Discurso de Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU Imagem: Reprodução/YouTube

Do UOL, em São Paulo

23/09/2020 17h29

O PDT (Partido Democrático Trabalhista) entrou com pedido no STF (Supremo Tribunal Federal) para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) explique acusação contra índios e caboclos na 75ª Assembleia-Geral das Nações Unidas.

No discurso, gravado na semana passada, o presidente brasileiro disse que os incêndios no Pantanal e na Amazônia vêm sendo usados numa "brutal campanha de desinformação" com o objetivo de atacar seu governo e atribuiu a índios e caboclos a disseminação do fogo em áreas de preservação.

Hoje, o PDT anunciou, por meio das redes sociais, que entrou com ação no STF para que Bolsonaro "dê explicações em juízo sobre as declarações dadas ontem".

"Entre os esclarecimentos requeridos, o partido solicita que Bolsonaro informe a fonte que subsidiou tais afirmações e as comprove, incluindo os estudos que respaldem seus argumentos quanto às causas naturais das queimadas no Pantanal", detalhou o partido, em seu site.

"O PDT também questiona se o presidente, estando ele convencido da culpa dos povos indígenas pelas queimadas, tomou alguma medida investigativa 'para deslindar os fatos e punir indígenas e caboclos que estejam realizando queimadas', bem como que apresente as possíveis provas concretas e foram obtidas", acrescentou.

Uma nota técnica divulgada em agosto pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), órgão que estuda a região há 25 anos, mostra que a concentração de focos de incêndio na Amazônia não acontece em áreas já desmatadas da região.

Segundo o levantamento, que foi realizado a partir de dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 30% do fogo registrado na Amazônia em 2019 foi incêndio florestal, ou seja, em área protegida. Outros 34% estão relacionados a desmatamentos recentes.

Além da Amazônia, o Pantanal também sofre com incêndios: a região ultrapassou a marca de 16 mil focos de incêndio somente em 2020, o maior número de queimadas desde 1998, quando o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) começou a registrar os dados.

Comparado com os 12 meses de 2005 (12.536), o pior ano da série histórica até então, o número de focos acumulados em 2020 já é 28,6% maior. Em relação ao ano passado inteiro (10.025), a situação é ainda mais grave: houve aumento de 60,8% — tudo isso em menos de nove meses.

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