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Conteúdo publicado há
9 meses

Bolsonaro mente e fala igual a "extremistas bolsominions", diz Maia

Eduardo Militão e Rayanne Albuquerque

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

18/12/2020 13h00Atualizada em 18/12/2020 16h06

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mente e tem discurso igual ao de "extremistas bolsominions". Ontem, o presidente acusou o deputado de ser o responsável pelo não pagamento do 13º salário aos beneficiários do Bolsa Família.

"Mentiu em relação à minha pessoa", repetiu Maia, hoje, falando da tribuna da Câmara, o que não é comum para um presidente da Casa. "Aliás, muita coincidência a narrativa que ele usou ontem com a narrativa que os bolsominions usam há um ano comigo, em relação às medidas provisórias que perdem a validade nesta casa."

Maia continuou: "É a mesma narrativa. A narrativa que eu deixei caducar a MP do 13º [salário do Bolsa Família] não vem de hoje. Peguem as redes sociais dos extremistas bolsominions que você vai ver: 'Rodrigo Maia derruba e caduca Medida Provisória do 13º do Bolsa Família."

"Continuarei leal adversário de Bolsonaro", diz Maia

No discurso, Rodrigo Maia disse que será "leal adversário do presidente", embora possa ser "aliado do governo" em certos temas.

"Eu continuarei sendo leal adversário do presidente da República naquilo que é ruim para o Brasil. E serei aliado do governo, não do presidente, nas pautas que modernizam o Estado brasileiro, respeitando o limite de gastos", disse Maia.

O deputado disse que "a população não merece pagar a conta da incompetência e da falta de coragem do governo" em fazer a reestruturação das despesas do Estado.

"Bolsonaro gosta de aliados que 'jogam pelas costas'"

Sem citar nomes, Maia condenou aliados do presidente. Segundo ele, Bolsonaro gosta de pessoas que, na verdade, "jogam pelas costas". "O presidente não gosta de adversários que jogam de forma aberta e transparente", iniciou. "Ele prefere os aliados, que ele vai conhecer um dia alguns, que estão sempre jogando pelas costas, e, quando podem, a gente sabe o que fazem com os governos."

O presidente da Câmara disse também que, durante a pandemia de coronavírus, o governo agiu com "negacionismo" científico e mencionou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, "ficou um mês no Rio de Janeiro".

"Garantimos o país funcionando porque o negacionismo do governo e a depressão do ministro da Economia fizeram com que o Parlamento assumisse esse papel", disse Maia, no discurso.

Agenda de costumes divide o Brasil

Maia disse que a chamada "agenda de costumes divide o Brasil". São projetos ligados a questões de direitos de mulheres e homossexuais, além de temas que dividem opiniões como aborto, religião e saúde pública.

O presidente da Câmara ainda afirmou que "foi muito importante" o governo entrar em obstrução para impedir a votação da Medida Provisória 1.000 enviada pelo próprio governo, que define o valor do auxílio emergencial em R$ 300. O motivo é que, em acordo com Maia, o relator e a oposição incluiriam o 13º do Bolsa Família na proposta, enquanto o PT anunciava que faria destaque para aumentar o auxílio para R$ 600.

"Isso está registrado no plenário. Nós estamos dispostos a trabalhar no mês de janeiro para que oito, dez milhões de brasileiros possam ser incluídos no Bolsa Família de forma a respeitar o orçamento primário", afirmou.

Governo pede para não votar 13º do Bolsa Família

Pouco depois do meio-dia, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que, "na verdade", foi pedido para o Bolsa Família não ser votado. No primeiro semestre, quando o tema estava no Senado, o relator Randolfe Rodrigues (Rede-AP) colocou emenda para estender o 13º salário ao benefício e também ao Benefício da Prestação Continuada (BPC). Barros disse que "não há necessidade de ser apreciada [votada]" a Medida Provisória 1.000 - que incluiria emenda para o 13º e aumento do auxílio emergencial.

A seguir, Maia saiu da cadeira de presidente e se dirigiu à tribuna, de onde discursam os demais deputados. Ele disse que faltou "coragem" a Jair Bolsonaro para discutir o 13º salário do Bolsa Família.

Falta coragem a Bolsonaro para debater 13º, diz Maia

"Quando você disputa uma eleição para ser presidente do Brasil, você assume a responsabilidade de dar o norte do nosso país", protestou Maia. "Infelizmente, não é o que tem acontecido nos últimos quase dois anos. E digo mais: se o presidente da república tivesse tido coragem, podíamos estar discutindo o 13º do Bolsa Família aqui hoje, podíamos estar discutindo a expansão do auxílio emergencial aqui hoje."

Maia disse que a responsabilidade é do presidente Bolsonaro. "Se hoje o governo não consegue promover uma melhora no Bolsa Família para esses milhões de brasileiros que ficarão sem nada a partir de 1º de janeiro, a responsabilidade é exclusiva dele [Bolsonaro], que tem um governo que é liberal na economia mas não tem coragem de implementar essa política dentro do governo e principalmente dentro do Parlamento."

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