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Em campanha por Lira, Bolsonaro reserva agenda para receber deputados

Bolsonaro apoia a candidatura de Arthur Lira (Progressistas-AL) para a presidência da Câmara - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Bolsonaro apoia a candidatura de Arthur Lira (Progressistas-AL) para a presidência da Câmara Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade e Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

13/01/2021 14h23Atualizada em 13/01/2021 21h07

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reservou a agenda matinal de hoje para receber no Palácio do Planalto deputados do bloco conhecido como centrão, cujo líder, Arthur Lira (Progressistas-AL), é o favorito do governo para a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na chefia da Câmara.

Durante as reuniões, Bolsonaro manifestou preocupação quanto à disputa entre Lira e o candidato apoiado por Maia, Baleia Rossi (MDB-SP).

Nos últimos dias, o presidente tem declarado publicamente a sua preferência por Lira e chegou a colocá-lo como um fio condutor das pautas que interessam ao grupo ideológico que deu luz ao "bolsonarismo" — temas como armas, regularização fundiária, entre outros.

O governante também expressou sentimento de ingratidão em relação a parlamentares da bancada ruralista. Na visão dele, o agronegócio obteve resultados positivos com o governo e deveria agir com lealdade nesse momento.

A insatisfação de Bolsonaro com a postura dos ruralistas emergiu quando o presidente da FPA (Frente Parlamentar Agropecuária), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), declarou apoio a Baleia Rossi (MDB-SP) no último domingo (10). Rossi é o candidato apoiado pelo atual chefe da Câmara.

De acordo com a agenda do Planalto, Bolsonaro esteve logo cedo, às 9h30, com Capitão Wagner (PROS-CE). Meia hora depois, recebeu em seu gabinete Paulo Bengtson (PTB-PA) e deputados da bancada do PTB. À tarde, o presidente recebeu o senador Carlos Portinho (PL-RJ).

Críticas ao prefeito de BH

Horas antes de receber o deputado mineiro Fred Costa, Bolsonaro abriu fogo pelo terceiro dia consecutivo contra o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD). O presidente tem usado o rival como um exemplo do que ele condena em relação ao posicionamento dos governos locais frente à pandemia do coronavírus.

O chefe do Executivo federal é contrário às medidas de restrição, como o isolamento social e a paralisação de atividades comerciais.

"Quem vota nos parlamentares é o povo. Por exemplo, eu pedi voto para candidato a prefeito de BH. Perdi. É natural. O cara lá está fazendo barbaridade agora, fechando tudo... E já tinha fechado tudo anteriormente", disse ele a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

PTB reforça convite

O deputado Paulo Bengtson (PTB-PA) afirmou que, junto a outros deputados da bancada, convidou Bolsonaro a se filiar ao PTB neste ano visando a eleição presidencial de 2022. Após brigar com a direção do PSL, o presidente se desfiliou da sigla. Ele buscou criar o partido Aliança pelo Brasil, mas, até o momento, não obteve sucesso.

Segundo Bengtson, Bolsonaro está "pensando, analisando", mas nutre simpatia pelo PTB por ser um partido de centro-direita que vai de encontro à sua ideologia.

A intenção do PTB é atrair ainda para a eleição de 2022 deputados bolsonaristas que vêm sofrendo retaliações em outros partidos, como o PSL. Ele estima que o PTB consiga agregar cerca de mais 26 políticos à legenda.

A bancada ainda pediu a Bolsonaro que se discuta o retorno do auxílio emergencial em meio à pandemia do novo coronavírus. O presidente disse que a questão depende mais de uma decisão da equipe econômica, relatou Bengtson.

O deputado negou que Bolsonaro tenha pedido diretamente o apoio de votos a Arthur Lira na reunião, embora tenha-se tocado no assunto.

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