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Mourão nega impeachment, mas defende 'freios' se presidente arriscar o país

Mourão (e) disse que Bolsonaro será avaliado pela população em 2022, se for candidato - Marcos Corrêa/Presidência da República
Mourão (e) disse que Bolsonaro será avaliado pela população em 2022, se for candidato Imagem: Marcos Corrêa/Presidência da República

Colaboração para o UOL

20/01/2021 08h45Atualizada em 20/01/2021 12h39

O vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão (PRTB), falou sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro (sem partido) sofrer um processo de impeachment em breve. Ele afirmou que o presidente cometeu erros, mas não acredita que seja necessário tirá-lo do poder.

"Se você botar numa coluna do nosso governo, você vai ver que teve mais acertos do que erros. Teve erros, que são sobejamente conhecidos. Mas vamos olhar, por que vamos fazer o impeachment? Vai chegar daqui ao ano que vem. E, se o governo dele não for bom, ele não será reeleito, caso seja candidato à reeleição", disse Mourão em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Mourão disse que Bolsonaro não representa uma ameaça institucional contra a democracia, mas ressaltou que um presidente que coloque o país em risco "tem que ser parado".

Agora, é óbvio que se um presidente colocar em risco a integridade do território, a integridade do patrimônio, o sistema democrático e a paz social do país, ele tem que ser parado pelo sistema de freios existente
general Hamilton Mourão, vice-presidente

Assim como tem feito nos últimos dias, Mourão criticou a "politização" da vacina contra a covid-19, tanto por parte do governo federal quanto do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O vice-presidente lembrou que sempre admitiu a possível compra da CoronaVac, mesmo quando Bolsonaro queria vetar a negociação, e disse que pode interceder para facilitar a importação de insumos chineses, tanto para CoronaVac quanto para a vacina de Oxford.

"Estamos aguardando. Dentro de um gerenciamento de crise, você vai escalando conforme as cartas vão se esgotando. A partir do momento em que isso aí não avançar, por meio do mecanismo da Cosban, eu vou contatar o meu contraparte que é o vice-presidente Wang Qishan para que a gente avance nisso", prometeu Mourão, que disse não acreditar que a China esteja fazendo uma retaliação política. O país asiático foi alvo de ataques diretos e falsos por parte da família Bolsonaro durante a pandemia.

Vice exime Bolsonaro por culpa em aglomerações

Ao analisar a gestão do governo na pandemia, ele afirmou que as críticas contra o ministro Eduardo Pazuello (Saúde), um militar da ativa, não prejudicam a imagem das Forças Armadas. E defendeu Bolsonaro ao falar sobre aglomerações.

"Ele [Bolsonaro] não foi o responsável pelas pessoas saírem para a rua. Aí tem uma responsabilidade compartilhada entre todas as esferas de governo. Nenhum dos nossos governadores e prefeitos conseguiu implementar um lockdown para valer. Até porque no Brasil esse troço não dá. O Brasil é um país muito grande, muito desigual. Não é a França ou a Espanha, que você dá um grito em Madri e todo mundo ouve. Na China, o cara bota a força armada na rua, cerca, derruba a internet... É diferente daqui", analisou Mourão.

Mourão disse que o Brasil vive um "repique" de casos e mortes de covid-19 e culpou as eleições municipais e as festas de final de ano.

"Repique aconteceu porque nós tivemos um processo eleitoral onde todo mundo se atirou numa campanha. E, depois, numa questão de festas de fim de ano onde todo mundo lavou as mãos e jogou a toalha nisso aí. Ou não lavou as mãos. Infelizmente aconteceu isso aí e compete ao Estado em todos os níveis buscar uma solução", afirmou o vice-presidente.

Mourão pede "canal diplomático" com EUA

Hoje Joe Biden está assumindo o cargo de novo presidente dos Estados Unidos. E Mourão comentou sobre atritos que já aconteceram entre Bolsonaro e o norte-americano, pois o brasileiro apoia Donald Trump irrestritamente. Mourão admitiu que a relação entre os governos precisa ser melhorada.

"O resultado prático é que nós temos que ter uma forma de reabrir o canal diplomático, de maneira que um posicionamento político de determinado momento não significa um posicionamento ad eternum. O que ficou para trás ficou para trás. Vamos zerar e buscar avançar a partir daqui", pediu Mourão.

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