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Bolsonaro diz que pandemia 'pode ser fabricada' e desdenha de impeachment

Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo
Imagem: Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

27/01/2021 20h17Atualizada em 27/01/2021 22h44

Em meio à alta de casos e mortes por covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) questionou hoje a própria pandemia, dizendo que ela pode ter sido "fabricada". Bolsonaro também minimizou os pedidos de impeachment de que é alvo e disse ter "certeza" de que vai permanecer no cargo até 2022, quando termina seu mandato.

"Quis o destino que uma pandemia, que pode ser fabricada, nos atingisse no início do ano passado", disse o presidente durante almoço com cantores sertanejos e ministros. Nas imagens que circulam nas redes sociais, é possível ver Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Gilson Machado (Turismo), por exemplo.

No vídeo abaixo, esse trecho do discurso aparece editado e, por isso, não dá para saber se Bolsonaro explicou o que quis dizer quando questionou a pandemia, ou mesmo se apresentou alguma prova.

A fala, no entanto, não condiz com a realidade. Desde o início da pandemia de covid-19, mais de 220 mil pessoas morreram em decorrência da infecção pelo novo coronavírus no Brasil. Hoje, o país ultrapassou o marco de 9 milhões de infecções e, há uma semana, mantém média de mais de mil óbitos diários. Nos últimos sete dias, a média registrada de mortes pelo coronavírus foi de 1.049. As informações são do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte, baseado nos dados das secretarias estaduais de saúde. No mundo, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, já são 2.167.894 óbitos e 100.670.714 infectados.

Para além dos números da doença, há ainda a supersaturação e, em alguns casos, o colapso dos sistemas de saúde locais, especialmente na região Norte. Além de Rondônia, que hoje começou a transferir pacientes a outros estados, veio à tona nas últimas semanas a grave situação no Amazonas, que vem sofrendo com a falta de leitos e insumos, principalmente cilindros de oxigênio.

A crise no estado inclusive motivou um pedido de abertura de inquérito apresentado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, por suposta omissão. O início das investigações foi autorizado na segunda-feira (25) pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Descrença no impeachment

No mesmo encontro, Bolsonaro também desdenhou dos pedidos de abertura de um processo de impeachment apresentados contra ele na Câmara dos Deputados. Dirigindo-se ao ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), o presidente disse que as ações não vão dar em "absolutamente nada".

"Nós continuaremos nessa cadeira até o final de 2022, tenho certeza disso", afirmou. "Se juntar todos [os pedidos], não dá nada. Absolutamente nada. Propostos por partidos de esquerda como o PT, PCdoB e PSOL, ou até mesmo a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]... Não levam a lugar nenhum, a não ser para causar transtorno e inquietação na sociedade".

Hoje, seis partidos de oposição — PT, PSDB, PDT, PSOL, PCdoB e Rede Sustentabilidade — apresentaram um novo pedido de impeachment contra Bolsonaro. Desta vez, a ação é baseada em 15 crimes supostamente cometidos pelo presidente durante a pandemia.

As siglas entendem que Bolsonaro descumpriu a Constituição ao não garantir o direito à saúde, ignorando diretrizes fixadas em lei sobre o enfrentamento à covid-19 e minimizando sua gravidade e a letalidade do vírus. O pedido ainda cita a produção, compra e divulgação de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença, como é o caso da hidroxicloroquina.

Com isso, chega a 64 o número de pedidos de impeachment contra Bolsonaro apresentados desde o início do governo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já arquivou cinco destes por questões regimentais.

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