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Derrotado, Maia rachou o centro democrático e pode deixar o DEM

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) se emociona em sua última sessão como presidente da Câmara dos Deputados - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) se emociona em sua última sessão como presidente da Câmara dos Deputados Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Kelli Kadanus

Colaboração para o UOL, em Brasília

02/02/2021 00h19

Após ganhar projeção nacional como presidente da Câmara dos Deputados por quase cinco anos, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) encerrou seu mandato à frente da Casa, na noite desta segunda-feira (01), como o maior derrotado da eleição de seu sucessor.

Não só porque seu candidato, Baleia Rossi (MDB-SP), perdeu para Arthur Lira (PP-AL). Mas porque tentou usar a disputa para conquistar a liderança de uma frente ampla de partidos de centro capaz de vencer as eleições de 2022 e impedir a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em entrevista à Folha, no fim do ano passado, Maia afirmou que o bloco formado em torno de Baleia Rossi poderia se repetir nas eleições presidenciais de 2022. Otimista, ele afirmava:

"Acho que isso é o que esse bloco mostra, que a gente é capaz, mesmo tendo muitas diferenças em muitos temas, de sentar numa mesa e discutir a nossa democracia e o interesse do Brasil. Eu acho que é um sinal forte de que parte desse bloco pode estar junto em 2022", disse.

A frente reuniria legendas como o DEM, o PSDB, o Cidadania, o Solidariedade e até algumas siglas de esquerda, como PDT e PSB. Mas a tentativa de Rodrigo Maia de forjá-la com mão de ferro e envolvê-la, já agora, na disputa pelo comando da Câmara acabou rachando quase todos os partidos da frente, incluindo o DEM.

Em novembro, Maia afirmou que o DEM estava se preparando para liderar um projeto de centro-direita para as eleições presidenciais.

"Quem vai liderar o campo do centro, o campo mais liberal na economia, o tempo vai dizer. O DEM está se preparando para isso", disse a jornalistas em novembro, após votar no segundo turno da eleição municipal.

O presidente da República tomou a disputa como uma antecipação das eleições presidenciais de 2022 e transformou-a numa guerra pessoal contra Rodrigo Maia. Bolsonaro admitiu publicamente que interferiu na eleição da Câmara. Baleia Rossi chegou a acusar o Planalto de distribuir cargos e verbas públicas em troca de votos.

O partido de Rodrigo Maia acabou saindo do bloco de apoio a Baleia Rossi e se acertou com Arthur Lira. Outros partidos de esquerda que formaram o bloco, como o PT e o Psol, também racharam internamente.

Irritado, Maia chegou a falar com deputados que poderia acolher a tramitação do pedido de impeachment contra Bolsonaro. Acabou recuando. Mas não voltou atrás, até o inicio da madrugada desta terça-feira, na ameaça de se desfiliar do DEM. Ele já foi presidente nacional da legenda.

Os embates com o presidente da República foram a principal marca do ano passado no mandato de Rodrigo Maia à frente da Câmara. Ele criticou abertamente a gestão de Bolsonaro no enfrentamento à pandemia de coronavírus. Passou a criticar até mesmo a condução da política econômica, com a qual chegou a concordar no início do governo.

Em janeiro, Maia foi às redes sociais para alfinetar o Bolsonaro em relação à disputa pela presidência da Câmara. "Não me surpreende que o presidente Bolsonaro critique a união de partidos em apoio à candidatura de Baleia Rossi à presidência da Câmara. Só compreendem o nosso gesto aqueles que defendem a democracia antes de tudo. Aqueles que respeitam diferenças e valorizam o diálogo", escreveu. "Não custa lembrar que em plena pandemia Bolsonaro estava em praça pública instigando manifestações pelo fechamento do Congresso Nacional e do STF", completou.

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