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Sob pressão, Bolsonaro se reúne com chefes de Poderes e governadores

Reunião acontece no Palácio da Alvorada - Isac Nóbrega/Presidência da República
Reunião acontece no Palácio da Alvorada Imagem: Isac Nóbrega/Presidência da República

Luciana Amaral e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

24/03/2021 09h52

Sob pressão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está reunido hoje pela manhã com chefes de Poderes, governadores e ministros do governo para discutir medidas relativas ao combate à pandemia do coronavírus, no Palácio da Alvorada, em Brasília.

A agenda ocorre em meio ao pior momento da crise sanitária no país. Mais de 298 mil pessoas já morreram devido à covid-19, segundo o consórcio de imprensa do qual o UOL faz parte. Ontem, o Brasil bateu recorde sombrio de mortes em 24 horas: 3.158.

Entre os interlocutores convidados para o encontro estão os presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, do Senado e da Câmara, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Arthur Lira (PP-AL), respectivamente, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), e o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Por videoconferência, também participam governadores de ao menos seis estados: Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás), Renan Filho (Alagoas), Wilson Lima (Amazonas), Ratinho Jr. (Paraná) e Marcos Rocha (Rondônia). A lista inclui nomes que ou são aliados do governo ou têm uma relação pouco conflituosa.

Bolsonaro está sob pressão não apenas do Congresso Nacional, mas também do STF e de governos locais para mudar de atitude em relação ao combate à pandemia.

Além de criticar medidas de restrição, o presidente da República já colocou em dúvida a veracidade do número de mortes no país, contestou a eficácia de vacinas, entre outras atitudes.

Embora o presidente tenha passado a defender mais a vacinação em massa recentemente, outros comportamentos prejudiciais ao combate da pandemia se mantêm, como atacar o isolamento social.

Na semana passada, ele chegou a entrar no STF (Supremo Tribunal Federal) com ação contra medidas mais restritivas de circulação de pessoas na Bahia, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. O pedido foi negado.

Bolsonaro não costuma se solidarizar com vítimas da covid-19 — hoje o país deve chegar a 300 mil mortos pela doença — nem se mostrar diretamente envolvido em ações contra disseminação do vírus e o colapso do sistema hospitalar Brasil afora. Além disso, um cronograma de fornecimento de vacinas e de imunização permanece incerto.

Por isso, após conversas nos bastidores, o presidente resolveu empossar o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, às pressas ontem e aceitou promover a reunião de hoje.

Parlamentares enxergam a reunião com bons olhos. Ainda assim, estão céticos quanto a uma mudança verdadeira de Bolsonaro. Vários congressistas relataram à reportagem não acreditar em mudanças porque o discurso negacionista e a geração de conflitos está na "índole" de Bolsonaro. Ou seja, faz parte da personalidade política dele.

Para um deputado de centro, o presidente da República só aceitou a reunião porque está ficando isolado no discurso negacionista e vê o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se aproximar como concorrente na eleição de 2022.

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