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Quem é Flávia Arruda, a nova ministra da Secretaria de Governo?

A deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) - Divulgação/Facebook
A deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) Imagem: Divulgação/Facebook

Carolina Marins

Do UOL, em São Paulo*

29/03/2021 22h37

O presidente Jair Bolsonaro fez hoje a primeira reforma ministerial de seu governo. Entre as mudanças, foi anunciado o nome da deputada Flávia Arruda (PL-DF) como nova articuladora do governo em mais uma vitória para o centrão.

Após o pedido de demissão hoje do então chanceler, Ernesto Araújo, o governo anunciou mudanças em seis ministérios. A deputada irá assumir a Secretaria de Governo no lugar do general Luiz Eduardo Ramos que agora irá para a Casa Civil. A secretaria com status de ministério cuida das articulações de interesse do Palácio do Planalto.

Flávia era presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e é muito ligada ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O cargo era uma antiga demanda do centrão, grupo do qual ambos fazem parte.

Após a eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a Presidência da Câmara, os líderes partidários firmaram acordo para que Flávia fosse eleita como presidente do CMO, o que aconteceu sem dificuldades.

A deputada está em seu primeiro mandato como deputada federal, tendo sido a candidata mais bem votada do Distrito Federal, com 121.340 votos. O apoio do marido foi fundamental para sua vitória.

Seu marido, José Roberto Arruda, foi governador do Distrito Federal de 2007 a 2010. Ele foi preso e afastado do cargo por ordem do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Na época, o Ministério Público denunciou Arruda por formação de quadrilha e corrupção de testemunha.

O político ainda foi cassado por infidelidade partidária pela Justiça Eleitoral. Antes, havia saído do DEM para evitar ser expulso da sigla.

Ao longo dos anos, José Roberto Arruda foi condenado pela Justiça após investigações relacionadas ao chamado Mensalão do DEM de Brasília ou Caixa de Pandora. O suposto esquema de corrupção consistia em desvio de dinheiro na administração distrital para o pagamento de propina a políticos em troca de apoio a interesses dos envolvidos, apontou o Ministério Público.

Ele chegou a ser gravado recebendo maços de dinheiro do então presidente da Companhia de Desenvolvimento do Planalto, Durval Barbosa. Arruda tem recorrido na Justiça e nega qualquer crime.

Arruda também renunciou ao cargo de senador para evitar ser cassado, em 2001. Ele foi investigado por suposto envolvimento na violação do painel eletrônico do Senado na votação da cassação do mandato de Luiz Estevão (na época, MDB-DF). O caso levou o então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, a fazer o mesmo.

Antes de se tornar deputada, Flávia já havia estreado na política como vice-governadora na chapa com o já falecido Jofran Frejat. Ela é formada em educação física pela Universidade Católica de Brasília e em direito no Centro Universitário Unieuro.

Gesto ao centrão

A escolha de Arruda pode ser vista como um gesto a Lira e ao centrão depois de o presidente Jair Bolsonaro não ter escolhido o nome sugerido pelo grupo para o Ministério da Saúde.

Após a demissão do general Eduardo Pazuello da pasta da Saúde, o mais cotado se tornou o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), depois Lira passou a defender o nome da médica Ludhmila Hajjar. Mas nenhum dos dois ficou com a pasta, dada ao médico Marcelo Queiroga.

Depois de pressionar pela saída do ministro da Saúde, os parlamentares passaram a se mover pela queda do então chanceler, ocorrida hoje.

As trocas ministeriais ocorrem após Lira ter feito duro discurso na semana passada, alertando sobre "remédios amargos" para erros do governo e afirmando ter acendido um "sinal amarelo".

*Com Luciana Amaral

Errata: o texto foi atualizado
Diferente do que informava a legenda da foto da matéria, Flávia Arruda é filiada ao PL e não ao PR

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