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1 mês

Sakamoto: Governo Bolsonaro tentou inundar sociedade com cloroquina

Do UOL, em São Paulo

13/05/2021 13h37Atualizada em 13/05/2021 14h10

Os depoimentos prestados até aqui na CPI da Covid no Senado demonstram que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tentou "inundar a sociedade de cloroquina", afirmou o colunista do UOL Leonardo Sakamoto.

Durante debate no UOL News na tarde de hoje, Sakamoto disse que o governo deve ser responsabilizado por priorizar o uso de medicamentos que não tem eficácia comprovada contra a covid-19 em vez de buscar vacinas no mercado.

Os depoimentos na CPI da Covid mostraram que houve ação deliberada do governo no intuito de distribuir esses medicamentos perigosos e que são usados para outras finalidades. (...) O governo tentou colocar e inundar a sociedade de cloroquina.
Leonardo Sakamoto, colunista do UOL

Em depoimento à CPI, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmaram que houve uma tentativa do governo de mudar a bula da cloroquina para incluir a indicação para tratamento da covid.

Já o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten confirmou que uma carta da Pfizer oferecendo vacinas ficou dois meses sem resposta por parte do governo.

Além disso, Sakamoto afirmou que a CPI abordou também um terceiro ponto que foi a campanha de desinformação promovida pelo governo na pandemia, como a intitulada "O Brasil Não Pode Parar", contra o isolamento social e bancada pela gestão de Wajngarten na Secom.

Soma-se a isso o comportamento de Bolsonaro, que promoveu aglomerações, foi contra o uso de máscara e levantou dúvidas sobre vacinas, como a da Pfizer e a CoronaVac.

Porém, apesar desses fatos trazidos pela CPI, Sakamoto disse ainda não acreditar que Bolsonaro vá enfrentar um processo de impeachment.

'O governo tem maioria no Congresso e ainda tem cerca de 1/4 da população barulhenta, e isso vai dificultar, ou melhor, impossibilitar o impeachment", declarou.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.