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Conteúdo publicado há
3 meses

Bolsonaro ataca Aziz e pede convocação de Malafaia à CPI: 'Estão com medo?'

Do UOL, em São Paulo

27/05/2021 19h38Atualizada em 28/05/2021 00h06

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez críticas hoje a um projeto apresentado pelo presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), que queria criminalizar a prescrição, por parte de médicos, de remédios ainda sem comprovação científica. Ele também pediu a convocação do pastor Silas Malafaia, seu "conselheiro", para depor à comissão.

Enviado no último dia 21, o projeto foi retirado na terça-feira (25) pelo próprio Aziz. Na ocasião, o senador afirmou que a sugestão para a retirada partiu de profissionais de saúde, visando a uma análise "mais aprofundada", e que sabe fazer autocrítica "quando acha que pode ter errado".

"Omar Aziz, pelo amor de Deus, encerra logo essa CPI e vem aqui para fazer outra coisa", disse o presidente durante sua live semanal, transmitida de São Gabriel da Cachoeira (AM). "Olha, o senador Flávio Bolsonaro [sem partido-RJ] falou que o Malafaia conversa sempre comigo. Por que não convoca o Malafaia? Estão com medo do Malafaia? É uma das pessoas que mais converso."

Aí vem com esse papinho, 'não vou convocar porque é um assessor espiritual', Ah, vá plantar batata, CPI. Ele [Malafaia] fala sobre muita coisa comigo. Convoca Malafaia, pô, está com medo do Malafaia? Ou está com medo dos evangélicos? Fica aí, partindo para intimidação das pessoas que vão depor. Se bem que Malafaia jamais será intimidado, tenho certeza disso.
Jair Bolsonaro, durante live de 27/05/2021

Em contato com o UOL, a assessoria do senador informou que não comentará as declarações de Bolsonaro.

Comentário homofóbico contra Randolfe

Sem citar nome, Bolsonaro fez um comentário homofóbico, ao falar "uma saltitante" (no feminino), para criticar o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid.

"Agora, tem uma saltitante na comissão que queria me convocar, brincadeira né. Ô saltitante, tem que fazer não? Conhecido como DPVAT, a gente reduz por dez vezes o DPVAT do povão, o cara entra na Justiça, saltitante do Amapá, para voltar na Justiça o valor anterior. Com que interesse? Deixar o povo pagar mais no DPVAT? Tá de brincadeira né saltitante."

Ontem, Rodrigues protocolou um requerimento de convocação de Bolsonaro. A estratégia do senador oposicionista, no entanto, gera um impasse jurídico. No Congresso, embora não haja proibição expressa na Constituição, há consenso histórico de que uma CPI não pode convocar o presidente da República —pois isso seria interpretado como interferência de um poder (Legislativo) no outro (Executivo).

Cloroquina e chás contra covid

Os ataques a Aziz vieram depois de Bolsonaro voltar a defender o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, ainda que o medicamento seja comprovadamente ineficaz contra a doença. Ele comparou o remédio com chás de "carapanaúba, saracura e jambu" que indígenas balaios e ianomâmis supostamente tomam quando são infectados.

"Perguntei também o que [os ianomâmis] fizeram, de modo que aqui tiveram poucos óbitos. Três, segundo relatos deles, e eram índios bastante idosos, com toda certeza deveriam ter comorbidades. Falaram que tomaram chá também. Não vou falar aquilo que tomei lá no Brasil [sic], senão vão cortar o sinal da internet, mas vocês sabem o que tomei", contou o presidente, em referência à cloroquina.

O medicamento nunca teve sua eficácia comprovada contra a covid-19, e desde dezembro de 2020 seu uso é inclusive contraindicado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Na semana passada, o Conitec, órgão técnico do Ministério da Saúde, também passou a contraindicar a substância em casos hospitalares da doença.

Já faz algum tempo que o presidente tem evitado falar o nome do medicamento durante suas transmissões ao vivo. Isso porque o YouTube e o Facebook têm removido conteúdos que indiquem a cloroquina para tratar pacientes de covid-19.

(Com Agência Senado)

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.