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Senador do PT diz que denunciou Bolsonaro na PGR por tráfico de influência

Rogério Carvalho considera que há "provas graves" de que o presidente agiu para favorecer empresas - Jefferson Rudy/Agência Senado
Rogério Carvalho considera que há "provas graves" de que o presidente agiu para favorecer empresas Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

10/06/2021 15h24Atualizada em 10/06/2021 17h07

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) disse hoje que denunciou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na PGR (Procuradoria-Geral da República) para que ele seja investigado por tráfico de influência. O parlamentar fez a denúncia com base em um telegrama que está em posse da CPI da Covid.

O teor do documento, revelado em reportagem do jornal O Globo, aponta que Bolsonaro atuou para favorecer dois laboratórios privados, prática conhecida como lobby. O presidente da República queria agilizar o processo de importação de matéria-prima da Índia para a fabricação de cloroquina.

Denunciamos Bolsonaro agora na PGR. O Globo apresentou provas graves de que ele agiu com tráfico de influência para favorecer empresas, enganar o Brasil com a cloroquina, ignorar a vacina e promover imunidade de rebanho, com contaminação dos brasileiros ao vírus.
Rogério Carvalho, senador

O telegrama em questão tem a transcrição de um telefonema feito por Bolsonaro em 4 de abril do ano passado para o primeiro-ministro indiano, Narenda Modi. O contato foi divulgado à época pelo próprio Bolsonaro nas suas redes sociais.

Defensor da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, ainda que os remédios já tenham sua ineficácia cientificamente comprovada, Bolsonaro agiu para obter insumos para a produção nacional dos medicamentos pelos laboratórios EMS e Apsen.

Ambos são comandados por empresários considerados apoiadores do presidente, segundo o jornal O Globo. Calos Sanchez está à frente do EMS, enquanto Renato Spallicci lidera o Apsen.

Na PGR, a denúncia do senador petista pode ter dificuldades para ser aceita, já que o procurador-geral da República, Augusto Aras, vem demonstrando alinhamento com interesses do governo Bolsonaro.

Aras era um dos mais cotados para ser a próxima indicação de Bolsonaro a uma vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), neste ano, mas o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente, afirmou em abril que a escolha está entre André Mendonça, advogado-geral da União, e Humberto Martins, presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Denúncia pede inquérito policial

O UOL teve acesso ao requerimento do senador para fazer a denúncia na PGR. Nele, Carvalho pede a abertura de um inquérito policial para investigar o suposto favorecimento aos laboratórios e aponta como testemunhas a serem ouvidas, além de Bolsonaro, Carlos Sanchez e Renato Spallicci, assim como o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Ao UOL, a PGR informou que até o momento a denúncia não constava no sistema do órgão. A reportagem também pediu um posicionamento do governo federal à Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social). Assim que tiver resposta, ela será incluída neste texto.

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