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Conteúdo publicado há
1 mês

Hallal defende lockdown nacional de 3 semanas e vacinação diária de 1,5 mi

Rayanne Albuquerque e Gabriel Toueg

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

24/06/2021 13h13Atualizada em 24/06/2021 15h20

Lockdown nacional de três semanas e vacinação diária de 1,5 milhão de pessoas por dia seria a saída para que o Brasil conseguisse reduzir o número de mortos e casos de covid-19. Essa foi a orientação apresentada pelo epidemiologista Pedro Hallal na manhã de hoje, em depoimento à CPI da Covid, no Senado.

O Brasil precisa vacinar, em média, 1,5 milhão por dia. Felizmente, esse número foi alcançado às vezes. O Brasil precisa, urgentemente, parar o país integralmente em três semanas, para que a gente possa colocar os números lá no chão -- que nem aconteceu na cidade de Araraquara --, aí a gente parta para uma vacinação acelerada
Pedro Hallal

O pesquisador atua como professor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e é um dos críticos às ações e omissões do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento da pandemia.

Mais cedo, Hallal declarou que o responsável pelas mortes por covid-19 no país é o presidente Bolsonaro que age com "negacionismo". Na perspectiva do epidemiologista, os ministros que geriram a Saúde do país cometeram erros e acertos, mas que nenhum deles foi diretamente o responsável pelo avanço das mortes.

Infelizmente, a postura do presidente da República, como líder maior da nação, é a pior de todas as posturas que nós observamos enquanto cientistas durante essa pandemia
Pedro Hallal

Censurado pelo Ministério da Saúde

O professor da UFPel disse que foi censurado durante uma coletiva de imprensa do Ministério da Saúde, que ocorreu no Palácio do Planalto.

Segundo ele, um slide que trazia dados étnico-raciais sobre a demografia de mortes por covid-19 — em que maior parte dos mortos são pretos e indígenas —, foi retirado da apresentação pela assessoria do ministério. Para ele, a ordem de retirada veio de Elcio Franco, ex-secretário da pasta.

Faltando 15 minutos para apresentar, eu fui informado pela assessoria de comunicação que o slide tinha sido retirado da apresentação, em que eu era o apresentador. Pouco tempo depois, o Ministério da Saúde decidiu interromper o monitoramento por meio do Epicovid, sem nenhuma justificativa técnica
Pedro Hallal

Diante da censura e ataques de aliados do presidente Jair Bolsonaro, Hallal declarou à CPI que, mesmo se tornando alvo, não deixa de manter o posicionamento de antes dos ataques, balizado na ciência.

Ninguém está certo 100% das vezes, mas em relação ao enfrentamento da pandemia, o presidente consegue estar errado 100% das vezes. Essa é uma declaração de outro colega epidemiologista, não é minha
Pedro Hallal

A condução da pandemia pelo governo federal é considerada um "fracasso" pela opinião científica, segundo Hallal.

400 mil mortes poderiam ser evitadas

Cerca de 400 mil pessoas que morreram durante a pandemia poderia estar vivas, caso políticas de controle do avanço do coronavírus fossem implementadas no Brasil.

A defesa foi feita por Hallal diante do colegiado da Comissão Parlamentar de Inquérito e dialoga com números apresentados pela diretora-executiva da Anistia Internacional Jurema Werneck, que também prestou depoimento hoje.

Hallal disse que faltou comunicação unificada no país e, por isso, uma em cada três pessoas que morreram no mundo ocorrem no país até hoje.

É tranquilo de se afirmar que quatro, em cada cinco mortes no Brasil, estão em excesso, considerando o tamanho da nossa população
Pedro Hallal

A análise apresentada pelo epidemiologista disse ainda que, caso mediada de prevenção fossem adotadas, cerca de 400 mil vidas poderiam ter sido poupadas.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.