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2 meses

Bolsonaro xinga ex-aliados pró-impeachment e diz que conta com o Congresso

Do UOL, em São Paulo

01/07/2021 19h34Atualizada em 01/07/2021 21h19

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reagiu com risadas ao "superpedido" de impeachment apresentado contra ele por parlamentares e entidades da sociedade civil. Bolsonaro classificou os signatários como "pessoas que não têm o que fazer", mas acrescentou que a "maioria" do Parlamento não é assim e está, na verdade, "sintonizada" com seu governo.

"Esses dois que assinaram... Gastaram tinta da caneta, né? Assinaram o 'superimpeachment'. Eu estou dando risada desses dois otários. 'Superimpeachment'! Faltou vocês me trazerem aqui as acusações: genocida, não usa máscara, fez motociata... São pessoas que não têm o que fazer", afirmou o presidente durante sua live semanal.

Clique aqui para ler o pedido completo

Antes, Bolsonaro falava do PSL, seu antigo partido, dando a entender que "esses dois" a quem chamou de "otários" são filiados à legenda. O presidente não citou nomes, mas sua declaração pode ter sido direcionada aos deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP), ex-PSL, e Joice Hasselmann (PSL-SP), signatários do "superpedido" de impeachment.

São pessoas que não têm o que fazer. Em vez de ajudar o Brasil, ficam inventando essas questões para atrapalhar a vida de quem produz. Deixo claro que a maioria do Parlamento está perfeitamente sintonizada. Me apoiam, eu os apoio também. Interesse duplo, né? Muitos parlamentares querem obras para suas áreas.
Jair Bolsonaro, em live de 01/07

O documento enviado ontem unifica 122 pedidos de impeachment contra Bolsonaro que já foram apresentados, mas não foram pautados pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), e também pelo seu antecessor no cargo, Rodrigo Maia (sem partido-RJ).

O "superpedido" lista 21 atos cometidos por Bolsonaro e que, de acordo com a lei nº 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade de autoridades de Estado e rege o processo de impeachment, configurariam 23 crimes. O documento foi protocolado com 46 assinaturas, com nomes que vão da esquerda à direita, além de entidades da sociedade civil.

Nos bastidores, o grupo que apresentou o pedido admite, poém, que a tendência é que Lira não dê andamento ao processo. No momento, o governo tem o apoio do centrão, que tem Lira entre seus líderes e que blinda possíveis ações contra o governo. Neste ano, o bloco ganhou mais força com indicações diretas para ministérios e outros cargos no governo.

"Ogro", diz Joice

Ontem, durante a entrega do "superpedido" de impeachment à Câmara, Joice Hasselmann chamou Bolsonaro de "ogro", "genocida" e disse que, apesar de já ter integrado sua base de apoio, jamais votaria nele novamente. Ela também afirmou não ter hesitado "em um único momento" antes de assinar o documento.

"Nós temos hoje o pior presidente da história da República. Eu fui líder desse ogro, mas fui a primeira da direita a sair quando a popularidade dele estava aqui [alta]. Eu sei o quanto me custou, e nunca mais, nem com uma arma na cabeça, esse homem leva um voto meu. Ele jamais será reeleito, mas o Brasil não aguenta até 2022", justificou a deputada.

Joice foi líder do governo na Câmara entre fevereiro e outubro de 2019. No ano seguinte, ela passou a ser crítica do governo Bolsonaro e foi alvo de ataques de apoiadores do presidente durante sua campanha nas eleições de 2020, quando disputou a prefeitura de São Paulo.

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