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Mayra Pinheiro diz que pedirá indenização por danos morais ao senador Aziz

Secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou que pedirá uma indenização por danos morais ao senador Omar Aziz (PSD-AM) após ser "desrespeitada" na CPI da Covid - MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou que pedirá uma indenização por danos morais ao senador Omar Aziz (PSD-AM) após ser "desrespeitada" na CPI da Covid Imagem: MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

27/07/2021 12h11Atualizada em 27/07/2021 12h11

A secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou que pedirá uma indenização por danos morais ao senador Omar Aziz (PSD-AM), que é presidente da CPI da Covid. A médica alega que seus dados foram vazados pela comissão.

Em entrevista ao programa "Os Pingos Nos Is" da Jovem Pan, Maya diz que foi "desrespeitada, assediada e interrompida inúmeras vezes" por senadores da oposição em seu depoimento no dia 20 de maio. Os dados de Mayra foram obtidas pela CPI a partir da quebra de sigilos telefônico e telemático da médica, conhecida nas redes sociais como "Capitã Cloroquina".

Em 12 de junho, Mayra conseguiu manter seus dados em segredo, com acesso permitido apenas aos senadores. Na ocasião, Lewandowski disse que os dados "só podendo vir a público, se for o caso, por ocasião do encerramento dos trabalhos, no bojo do relatório final."

A secretária do Ministério da Saúde disse que os documentos foram divulgados "de forma ilegal". Reportagens mostraram que Mayra ofereceu ao governo de Portugal o uso de medicamentos sem eficácia comprovada no combate ao coronavírus, como a cloroquina.

Na ação contra o senador, Mayra também pede para prestar novo depoimento na CPI, mas que Aziz não participe. "Não bastasse o desrespeito com a quebra do meu sigilo e a divulgação dos dados, o senador Omar Aziz continua dando entrevistas e criando uma narrativa mentirosa, dizendo que eu sou desqualificada tecnicamente".

Ao programa da Jovem Pan, Mayra diz que não cometeu nenhum crime e criticou a CPI. "Desde o início o que nós assistimos ali não é uma CPI para apuração de competência do Ministério da Saúde, a gente está vendo uma construção de narrativas", afirmou.

"Agora, com a prorrogação da CPI, são mais meses em que a população deixa de ter o ministério direcionado para o cumprimento das suas competências para ficar gastando energia e satisfazendo o ego de pessoas que querem construir narrativas com objetivo puramente político".

Segundo Mayra, apesar da tentativa de desqualificá-la, "o tiro saiu pela culatra". No programa, ela não descartou a possibilidade de concorrer a algum cargo político em 2021.

Médica pediu ajuda antes de depoimento na CPI

Em maio, a médica esteve na Comissão e prestou depoimento. Ela manteve sua defesa no tratamento precoce com medicamentos já descartados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e tentou absolver o governo federal em relação ao colapso da rede de saúde em Manaus, no começo do ano. Antes de depor, ela pediu ajuda para formular perguntas aos senadores que apoiam o governo Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo o site The Intercept Brasil, que obteve as gravações, a médica fez um treinamento por videoconferência antes de ser questionada na CPI. Na gravação, ela diz precisar enviar a senadores "perguntas cujas respostas sejam oportunidade de eu falar".

"Se o senhor puder fazer três ou quatro perguntinhas que os 'deputados' podem me fazer. Tem um grupo que nos apoia, que reconhece o nosso trabalho. Esse grupo precisa fazer perguntas que nos ajudem no nosso discurso. Que perguntas posso dar a esses senadores fazerem a mim, que eles chutam para eu fazer o gol?", pergunta.

"Capricha e já me dá a resposta porque os senadores têm que ter essa respostinha. Tem cinco senadores que vão jogar com a gente, preciso dar perguntas para eles interrogarem cujas respostas sejam oportunidade de eu falar", continua.

Não fica claro na gravação a quais senadores ela se refere. Nos trechos exibidos pelo The Intercept, Mayra também pergunta aos interlocutores se haveria uma "bala de prata" para ela levar à CPI e comprovar a eficácia de medicamentos do chamado kit covid.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.