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1 mês

Deputado governista é retirado da CPI após bater-boca com Randolfe

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

04/08/2021 12h38Atualizada em 04/08/2021 15h14

Um deputado federal governista que assistia à sessão da CPI da Covid foi retirado do local pela Polícia Legislativa a pedido do vice-presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) por ter gravado vídeos com supostas críticas à reunião.

A situação entre Reinhold Stephanes Junior (PSD-PR) e Randolfe gerou o terceiro bate-boca da sessão, que precisou ser suspensa para que a ordem fosse reestabelecida.

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que a atitude do parlamentar que integra a base de apoio ao governo reflete o "modus operandi" da gestão federal.

Contrariado com a situação, considerada como um "insulto" à CPI da Covid, Randolfe pediu que o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado, gerisse a base de aliados para mantê-los contidos e prestando respeito à CPI.

Em resposta, Bezerra Coelho disse que, por ser líder apenas no Senado Federal, não é da alçada dele a contenção de um deputado federal governista. Ao mesmo tempo, o parlamentar assumiu ter discordado com a postura apresentada durante a sessão por Reinhold Stephanes Junior.

Diante das ofensivas da base bolsonarista, o Randolfe Rodrigues disse que pretende acionar o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para relatar o episódio de hoje.

Blanco diz que relação com Dominghetti visava mercado privado

Em depoimento hoje à CPI da Covid, o tenente-coronel Marcelo Blanco afirmou que projetava uma "parceria comercial" com o cabo da Polícia Militar mineira Luiz Paulo Dominghetti para vender vacinas contra o coronavírus ao mercado privado.

Na versão da testemunha, fora este o motivo pelo qual ele levou o PM —que se apresentava como lobista da empresa americana Davati Medical Supply— a um jantar com Roberto Dias, então diretor de logística do Ministério da Saúde, em 25 de fevereiro, no restaurante Vasto, em Brasília.

Foi durante o encontro, descrito por Dias à CPI como um simples happy hour, que o ex-servidor teria, de acordo com Dominghetti, solicitado propina.

A vantagem ilícita teria a seguinte finalidade: levar adiante um acordo entre a Davati e o governo brasileiro para a aquisição de suposto lote de 400 milhões de doses da AstraZeneca. O ex-diretor do ministério nega ter cometido qualquer ilegalidade. Não há provas de que o crime tenha realmente ocorrido. Mesmo assim, Dias foi exonerado do cargo logo depois que o relato de Dominghetti foi publicado originalmente pelo jornal Folha de S.Paulo, em 29 de junho.

Blanco é cobrado pelos senadores do CPI a explicar as circunstâncias de sua relação com Dominghetti. O policial mencionou o depoente como um dos personagens que abriram as portas do Ministério da Saúde para a negociação com a Davati.

Durante a oitiva, o militar confirmou ter atuado como uma ponte entre as partes, mas com uma ressalva: o objetivo era apenas orientar o revendedor quanto aos trâmites comerciais. Ele também negou ter oferecido facilidades aos ofertantes da vacina e/ou solicitado algum tipo de comissão pelo trabalho de intermediação.

Blanco explicou que, de forma privada, nutria o interesse em explorar o potencial mercado de comercialização de vacinas com empresas e seus respectivos donos —embora não existisse perspectiva, à época, de tramitação de um projeto de lei com esse objetivo no Congresso Nacional (ou seja, autorizar legalmente a venda de imunizantes ao setor privado).

O depoente rebateu e citou uma reportagem publicada na imprensa em janeiro, um mês antes do jantar entre Dias e Dominghetti, que já indicava a possibilidade de que o tema poderia ensejar mobilizações favoráveis e contrárias em relação às atividades do Legislativo nacional.

"Eu prospectava na figura do Dominguetti que ele poderia ser um possível parceiro comercial da iniciativa privada. É uma coisa absolutamente distante da outra", disse Blanco ao colegiado, na tentativa de dissociar os seus interesses privados das negociações entre Davati e Ministério da Saúde.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), respondeu então que o coronel havia feito "lobby" e cometido potenciais crimes relacionados a intermediação de interesses. "Não, senhor. Não fiz lobby", retrucou a testemunha.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.