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Política

Manuela defende oposição nas ruas em 7 de setembro: 'Data histórica'

Colaboração para o UOL

01/09/2021 11h50Atualizada em 01/09/2021 13h17

Para a ex-deputada federal Manuela D'Ávila (PCdoB), a esquerda não deve deixar de sair às ruas no dia 7 de setembro, data em que é comemorada a Independência do Brasil e para quando estão programados atos em defesa do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

"As manifestações contra o presidente Bolsonaro têm acontecido sistematicamente, pelo menos desde o mês de abril, e têm grande adesão popular. É natural que, em uma data que a gente faça historicamente uma manifestação chamada Grito dos Excluídos, nesse 7 de setembro também organizemos", disse Manuela ao participar hoje do UOL Entrevista, conduzido pela apresentadora Fabíola Cidral e pelos colunistas Josias de Souza e Kennedy Alencar.

As manifestações a favor do presidente acontecerão em meio a um cenário de crise institucional entre os Poderes e a uma escalada de discursos autoritários por parte de Bolsonaro.

Em entrevista ao UOL News na semana passada, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) defendeu que críticos a Bolsonaro não realizem manifestações na mesma data em que acontecerão os atos pró-governo. Para ele, essa seria uma forma de evitar atribuições falsas em possíveis confrontos entre manifestantes.

Manuela, no entanto, defendeu que a esquerda não deve ter receio de manter suas manifestações e afirmou que o ambiente de "violência política" que vem sendo pautado por Bolsonaro não ficará restrito ao 7 de setembro, mas permanecerá até o fim do processo eleitoral. "Acho que o assunto central não é a manifestação daqueles que defendem a democracia. É a maneira como o presidente se comporta, estimulando manifestações com forte conteúdo antidemocracia e anti-instituições", declarou Manuela.

Esse ambiente de violência é a escolha política de Bolsonaro não apenas para o 7 de setembro; é a escolha política de Bolsonaro do 7 de setembro ao fim do processo eleitoral. E nós não podemos nos pautar e fazer nossas ações exclusivamente a partir disso.
Manuela D'Ávila

A ex-deputada afirmou ainda que a esquerda precisa "refletir" sobre a relação desse campo político "com a escalada de violência que Bolsonaro proporcionará ao nosso país até 2022".

"Nós subestimamos o que significa esse discurso dele na prática e o que pode significar até as eleições. Nós precisamos entender que Bolsonaro arma um discurso para não legitimar o resultado eleitoral, já que a sua derrota está se anunciando", disse.

Mulheres na política

Envolvida com a política desde o movimento estudantil, Manuela já foi deputada estadual e deputada federal pelo Rio Grande do Sul, além de ter composto a chapa de Fernando Haddad (PT) para a presidência nas eleições de 2018 e também de ter disputado a prefeitura de Porto Alegre em 2020.

Na entrevista, ela defendeu uma maior participação de mulheres na política, mas destacou a importância das propostas programáticas para que essa presença não acabe levando a um "debate vazio de significado".

Nós somos mais da metade da população e nós somos sub-representadas. Porém, como está muito na moda o debate sobre as mulheres, e isso não é necessariamente algo ruim, eu também tenho obrigação de elevar a discussão sobre a participação política das mulheres. Não é porque uma mulher é candidata que ela necessariamente representa os interesses das mulheres ou da maior parte das mulheres.
Manuela D'Ávila

"Uma mulher que defende eventualmente a não-abertura de vagas na educação infantil ou a não-ampliação de investimentos na idade escolar de 0 a 3 anos, essa mulher tem compromisso com as mulheres? Não, não tem, porque as pesquisas nos mostram que 62% das mulheres negras brasileiras não trabalham quando têm um filho de 0 a 3 anos por ausência de política pública", disse Manuela.

A ex-deputada afirmou que, apesar de ser "sempre simbólico" que mulheres e pessoas negras participem da política, é preciso "botar a lupa [para] que esse simbolismo se transforme, seja fruto e sirva para a real emancipação das mulheres".

"Eu sou uma mulher que atingiu várias posições raras para as mulheres, mas atingir essa posição para mim mesma, para minha vaidade, não me serve", declarou. "Eu não sou feminista só por causa minha, porque isso garante a minha emancipação, mas porque acredito que é preciso desenvolver um país que garanta condições para as mulheres viverem em igualdade".

Eleições de 2022

Manuela deixou em aberto a possibilidade de concorrer ao governo do estado do Rio Grande do Sul —essa escolha, segundo a ex-deputada, será feita levando em consideração não só seu papel na política federal, mas também a necessidade de garantia da integridade física dela e de sua família.

Alvo de ataques de ódio e de campanhas de fake news e desinformação, Manuela afirma ter que lidar frequentemente com ameaças de estupro contra sua filha, que hoje tem 6 anos. "Nos últimos anos, a violência que eu e minha família vivemos as pessoas não têm muita noção", disse ela.

Para 2022, segundo Manuela, seu "compromisso" é com "ajudar a derrotar Bolsonaro", algo que ela afirmou ter condições de fazer a partir de diferentes posições. "Posso disputar [as eleições] ou não. Hoje tenho uma questão de relacionar isso com a integridade física e emocional minha e da minha família", declarou.

Manuela afirmou ainda acreditar que a sociedade brasileira não deve ter "receio" de fazer debates como a discussão sobre a regulamentação das mídias no Brasil, tema levantado recentemente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Acho que precisamos nos desarmar. Não estou sequer defendendo que precisamos fazer [a regulamentação das mídias]. Mas acho que é um debate que podemos fazer", disse ela.

"Eu acompanhei muito por cima as declarações do presidente Lula com relação a isso. Sou jornalista e defendo que nós tenhamos mecanismos que garantam a democracia na comunicação", afirmou Manuela, citando que, em 2018, a Rede Record divulgou um "vídeo falso com uma montagem a meu respeito".

"Como cidadã brasileira, acho que nós precisamos debater esse tipo de prática da imprensa brasileira, fazendo cumprir e valer aquilo que diz a Constituição Federal", defendeu.

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