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Proximidade entre atos pró e contra Bolsonaro preocupa autoridades

Montagem com manifestações contra e a favor de Bolsonaro - Daniel Castelo Branco/Agência o Dia/Estadão Conteúdo e Roberto Sungi/Futura Press//Estadão Conteúdo
Montagem com manifestações contra e a favor de Bolsonaro Imagem: Daniel Castelo Branco/Agência o Dia/Estadão Conteúdo e Roberto Sungi/Futura Press//Estadão Conteúdo

Carlos Madeiro, Hanrrikson de Andrade e Leonardo Martins

Do UOL, em Brasília e São Paulo, e Colaboração para o UOL, em Maceió

06/09/2021 16h00Atualizada em 07/09/2021 09h26

A proximidade entre apoiadores e manifestantes contrários ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em algumas capitais, durante os atos previstos para esta terça-feira, no feriado de 7 de setembro, dia da Independência, preocupa as autoridades quanto à segurança dos participantes. Em Brasília, três quilômetros separam os dois atos; já em São Paulo, serão quatro quilômetros entre um protesto e outro.

Apoiadores do presidente costumam defender pautas antidemocráticas, como o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e intervenção militar. Desta vez, não deve ser diferente, mas com um agravante que também virou aflição para governadores, principalmente João Doria (PSDB), em São Paulo: a possibilidade de pessoas irem armadas à avenida Paulista, onde está marcado o ato bolsonarista.

Doria alertou outros governadores para esse cenário, que ele caracterizou como "gravíssimo". A adesão de policiais militares de folga e da reserva ao ato preocupa a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que montou um "esquema especial de segurança" para os atos.

Segundo a pasta, serão 3.600 policiais militares deslocados para os dois protestos. "Para garantir a segurança nas duas manifestações serão mobilizados PMs de batalhões territoriais e especializados, com apoio de 1.473 viaturas, 60 cavalos e 4 drones. Participarão da operação equipes dos Comandos de Policiamento da Capital, de Trânsito, de Choque, do Corpo de Bombeiros ), além do CavPM [comando de aviação] que apoiará com dois helicópteros Águia", afirmou a secretaria em nota.

A PM diz que, horas antes do início das concentrações, todos os carros de som a serem utilizados serão vistoriados por agentes. Antes de os manifestantes entrarem nos atos, também haverá revista feita por PMs, de acordo com a Secretaria da Segurança.

Qualquer tipo de armamento está proibido — a regra vale para PMs de reserva ou em folga. "Entre os itens que não poderão ser usados estão armas brancas e de fogo, bastões, fogos de artifício, sinalizadores e drones. Quem estiver na posse destes materiais será conduzido à delegacia para o registro de um termo circunstanciado", diz a secretaria.

O ato contrário a Bolsonaro vai acontecer no Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista, a partir das 14h, com prazo de término às 17h, conforme acordado com a Polícia Militar. Já os apoiadores do presidente se reunirão na avenida Paulista a partir das 11h, com término do ato marcado para as 18h.

Há expectativa de que o presidente saia de Brasília e compareça ao ato paulista durante a tarde, como ele mesmo disse em entrevista à Rádio Jornal Pernambuco, em 26 de agosto.

"Pretendo. sim, participar do evento na Paulista, onde devo chegar por volta das 15h30. Aí sim um pronunciamento mais demorado. Falar com a população e também demonstrar para o mundo o quanto o governo está preocupado com o seu futuro", afirmou o presidente, que na sexta voltou a radicalizar seu discurso, fazendo nova ameaça ao STF, dizendo que os atos serão um "ultimato" para dois ministros da Corte.

Brasília

A Esplanada dos Ministérios, na capital federal, terá um perímetro de isolamento a fim de garantir a segurança dos prédios do Congresso Nacional e do Supremo.

Apesar do plano de isolamento, na noite desta segunda (6) apoiadores de Bolsonaro furaram o bloqueio policial montado na Esplanada dos Ministérios e, sem aparente oposição, tomaram a via, chegando perto da Praça dos Três Poderes — esta sim, com segurança reforçada.

Apoiadores do governo, que devem estar em maioria, de acordo com previsão da polícia, ocuparão a Esplanada e caminharão em direção à praça dos Três Poderes (onde ficam o Congresso e o Supremo). Já manifestantes que compõem o chamado Grito dos Excluídos (movimentos sociais, partidos de esquerda e outros) vão se concentrar na região da Torre de TV, na região central do Plano Piloto.

A segurança em toda a capital será reforçada pelo governo local, que destinará um contingente de 5.000 agentes policiais para a cobertura dos atos. O governador Ibaneis Rocha (MDB) decretou ponto facultativo nesta segunda-feira no Distrito Federal, a fim de tentar evitar aglomerações. Além disso, o trânsito será fechado e a fiscalização de protocolos sanitários em atividades comerciais, reforçada.

"A Polícia Militar do Distrito Federal realizará linhas de revistas pessoais e bloqueios nas principais vias da Esplanada dos Ministérios e proximidades da Torre de TV", informou a Secretaria de Estado da Segurança, em nota.

"Também será proibido acessar as áreas em que serão realizadas as manifestações portando objetos pontiagudos, garrafas de vidro, hastes de bandeiras e outros materiais que coloquem em risco a segurança de manifestantes e população. Também fica restrita a utilização de drones sem autorização no espaço aéreo da Esplanada."

Em entrevistas na última semana, Bolsonaro também afirmou que, antes de embarcar para São Paulo, vai ao ato na Esplanada, onde deve discursar. Sua passagem pelo protesto acontecerá depois de receber autoridades no Palácio da Alvorada, residência oficial do chefe do Executivo. No local, ele acompanhará a solenidade de hasteamento da bandeira (com início a partir das 8h). Não há previsão de discurso do presidente no evento.

Quantos grupos em cada ato

Em São Paulo, 34 grupos favoráveis ao presidente e nove contrários estão organizando as manifestações. Na última semana, eles se reuniram com o comando da Polícia Militar para registrar compromissos com a segurança e com a duração dos protestos.

Já em Brasília, segundo governo do Distrito Federal, 16 grupos políticos se cadastraram para a realização de manifestações — 13 são favoráveis a Bolsonaro e três são contrários.

Para evitar que haja aproximação entre militâncias rivais, a PM pretende posicionar agentes ao longo de toda a Esplanada, onde o trânsito será interrompido, e reforçar o efetivo perto das sedes dos Poderes. A praça dos Três Poderes permanecerá fechada durante todo o dia.

"Brasília é palco de grandes manifestações e a Esplanada dos Ministérios tem a vocação de receber essas manifestações. Nós recebemos inúmeros protestos ao longo do ano", afirmou o delegado Júlio Danilo, secretário da Segurança Pública.

Será realizada uma barreira de revista no espaço entre a concentração dos manifestantes e o acesso à Esplanada. A vistoria visa impedir a entrada de objetos que possam ser utilizados como arma branca — como garrafas de vidro e pedaços de ferro ou madeira. Álcool líquido também não será permitido (apenas álcool gel).

O trabalho envolverá o efetivo das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Departamento de Trânsito, do Departamento de Estradas e Rodagem e dos fiscais do DF Legal, que vão coibir a venda de comida e bebidas por ambulantes.

Estados do Nordeste

Pelo Nordeste, região onde Bolsonaro encontra menor apoio popular, atos a favor e contra o presidente estão convocados em todas as capitais.

Em Pernambuco, o governo realizou reuniões com os representantes dos movimentos em busca de uma "convivência pacífica entre os manifestantes".

"As forças de segurança, de forma integrada, estão atentas para garantir o exercício da democracia de forma ordeira. A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social estará acompanhando os atos para assegurar que servidores públicos da segurança atuem dentro da técnica, legalidade, da prevenção à violência e proteção do cidadão", diz nota do governo estadual.

Na Bahia, a Secretaria da Segurança informou que "monitora os atos previstos com o objetivo de garantir o direito democrático de manifestação, bem como a ordem e o direito de ir e vir dos baianos."

No momento dos atos, o Centro Integrado de Comunicações deve reunir as forças de segurança, "que realizarão o monitoramento das manifestações ao longo do dia, para agilizar a tomada de decisões e o acionamento de equipes, caso seja necessário."

No Ceará, uma das preocupações é com a participação de militares em ato. Tanto que a Procuradoria de Justiça Militar e Controle Externo da Atividade Policial Militar recomendou aos comandantes-gerais da PM e do Corpo de Bombeiros que atuem para prevenir a participação de seus integrantes em protestos.

A preocupação foi compartilhada, inclusive, em carta assinada dia 25 de agosto, na qual os governadores dos nove estados pediram à sociedade e às instituições "atitude firme" em defesa da "legalidade" e da "paz."

STF e Congresso

O STF informou que decretou ponto facultativo hoje a fim de "facilitar os preparativos de segurança". Também não será permitida a presença da imprensa ou de quaisquer outros visitantes no prédio da Corte.

O Senado disse também ter decretado ponto facultativo nesta segunda. A Câmara dos Deputados afirmou que o planejamento é sigiloso,

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