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2 meses

Josias: Acreditar em moderação de Bolsonaro é fazer papel de bobo, imbecil

Colaboração para o UOL

10/09/2021 11h09

O colunista do UOL, Josias de Souza, repercutiu a ligação feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, mediada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), que também auxiliou o mandatário na construção de uma carta divulgada pelo Planalto, e disse que quem acredita em "moderação" por parte do chefe do Executivo Federal faz papel de "bobo e imbecil".

"Faz papel de bobo, imbecil, quem acredita em variantes moderadas do Bolsonaro, o Brasil é um país à deriva e continua sem presidente", afirmou.

Ao UOL News, Josias, em tom de ironia, disse ter ficado "impressionado" com a carta e a ligação, classificada por ele como "espantosa", porque é como se Bolsonaro tivesse aderido "a uma nova modalidade de negacionismo: o mental".

"O Bolsonaro percebendo que tinha transformado o trono em uma cadeira elétrica, ele devolveu o bolsonaristão ao Brasil e fundou uma nova monarquia. Nessa monarquia reina o Bolso-Temer, um híbrido do miolo mole do Bolsonaro e a caligrafia do Michel Temer, que resultou nessa carta", declarou.

Segundo o colunista, a síntese da carta consiste em que "todo brasileiro sem vergonha na cara deve esquecer as barbaridades que o Bolsonaro fez desde o início do governo e as atrocidades que declarou nas últimas 48 horas" quando, em discursos golpistas, fez ataques diretos a Alexandre de Moraes e ao STF. Na missiva à nação, o mandatário diz que as polêmicas declarações foram dadas em decorrência do "calor do momento".

Para Josias de Souza, essa nova "variante moderada" do presidente já começou a desmoronar, cerca de três horas depois da divulgação da carta, durante a já tradicional live realizada pelo mandatário nas redes sociais. Na ocasião, o político voltou a fazer ataques ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF, Luís Roberto Barroso, que mais cedo rebateu os ataques do presidente.

Durante a live, em resposta a Barroso, o político disse que as "palavras bonitas" do magistrado não "convencem ninguém" e voltou a questionar a segurança e lisura das urnas eletrônicas.

Por fim, Josias de Souza pontuou que o ex-presidente Michel Temer é uma espécie de "tranquilizante com prazo de validade vencido" e o presidente "precisa de acompanhamento psiquiátrico", completou, destacando a preocupação do político com a reação negativa de seus seguidores mais fiéis em relação à carta e à ligação feita para Moraes.

Durante o UOL News de hoje, que também contou com a participação da deputada Janaina Paschoal (PSL-SP), a advogada, apoiadora de Jair Bolsonaro, avaliou como positiva essa reaproximação entre os Poderes, mas destacou que o chefe do Executivo Federal precisará se "desconectar" das redes sociais, perder a "dependência" dos likes e "se afastar da interferência dos filhos".

Ainda, apesar de enxergar como boa a atual gestão do presidente, inclusive no comando durante o período de pandemia de coronavírus, Paschoal disse "temer" um segundo mandato de Bolsonaro, porque esse "governo de conflito" é prejudicial para o país e afasta os investidores.

Bolsonaro atacou Moraes em discurso na Av. Paulista

A escalada de conflito entre os Poderes chegou ao ápice na última terça-feira (7), quando, em discurso na Avenida Paulista, Jair Bolsonaro reforçou seus ataques a Alexandre de Moraes e declarou abertamente que não respeitará "qualquer decisão" tomada pelo ministro, a quem o mandatário chamou de "canalha", e pediu sua saída do STF.

"Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, este presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou. Ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais! Liberdade para os presos políticos! Fim da censura! Fim da perseguição àqueles conservadores, àqueles que pensam no Brasil", afirmou.

Alexandre de Moraes comanda o inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir indevidamente nas atividades da PF (Polícia Federal). E, em outra frente, investiga o vazamento por parte do presidente de uma investigação sigilosa da PF. Em outro inquérito, Moraes apura o financiamento e a organização de atos antidemocráticos. A investigação mira aliados e apoiadores de Bolsonaro.

Além disso, Moraes pode ser o próximo presidente do TSE, justamente no ano em que o atual chefe do Executivo Federal tentará a reeleição, e as pesquisas com intenções de votos mostram que ele perde no segundo turno tanto para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando para o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Após a fala golpista de Bolsonaro, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, afirmou que ameaças à autoridade da Corte e o desprezo por decisões judiciais configuram crime de responsabilidade.

"O Supremo Tribunal Federal também não tolerará ameaças à autoridade de suas decisões. Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do Chefe de qualquer dos Poderes, essa atitude, além de representar atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional."

Em seu discurso, Fux afirmou que "ofender a honra dos ministros, incitar a população, propagar discursos de ódio contra o STF e incentivar o descumprimento de decisões judiciais" são práticas antidemocráticas e também ilícitas.

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