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1 mês

Rejeição a Lula opõe MBL e Vem pra Rua e atos anti-Bolsonaro se fragmentam

Carolina Farias, Eduardo Militão, Juliana Arreguy e Vinicius Vieira

Do UOL, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília

12/09/2021 17h51Atualizada em 12/09/2021 20h50

O risco à democracia foi o argumento utilizado por líderes políticos em atos contrários ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na tarde deste domingo (12).

Foi comum encontrar nos atos uma rejeição à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que afastou nomes ligados à esquerda. Tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, o fato de o Vem Pra Rua manter em pauta as críticas a Lula fez com que o ato se fragmentasse em mais de um caminhão, com discursos simultâneos, o que dividiu os presentes.

Na avenida Paulista, em São Paulo, o palanque foi pautado por discursos que mencionaram a alta dos preços do gás e dos alimentos, o negacionismo em relação à pandemia de covid-19 e a união de diferentes espectros em torno de um pedido de impeachment.

O palanque paulista reuniu alguns dos principais presidenciáveis para o próximo ano: Luiz Henrique Mandetta (DEM), Alessandro Vieira (Cidadania), Simone Tebet (MDB), Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB).

Os discursos foram sobre a união contra Bolsonaro e eles evitaram mencionar publicamente possíveis campanhas.

Em contraponto, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) estimou apenas 6 mil presentes no ato na Avenida Paulista, quase metade da adesão do ato no Vale do Anhangabaú na semana passada, que reuniu 15 mil pessoas.

Manifestantes em ato contra Bolsonaro na Avenida Paulista - Vinícius Vieira/UOL - Vinícius Vieira/UOL
Manifestantes em ato contra Bolsonaro na Avenida Paulista
Imagem: Vinícius Vieira/UOL

'3ª Via'

Em São Paulo, as pessoas começaram a se concentrar em frente ao Masp a partir das 14h. Três carros de som fragmentaram o ato, mas um dos caminhões foi o mais utilizado pelos políticos para discursar.

Ciro Gomes (PDT) afirmou que a união de políticos de espectros distintos é necessária para "proteger a democracia".

"A escalada golpista do Bolsonaro tomou proporções maiores", disse o possível candidato a presidência quando chegou à Avenida Paulista. Ele também afirmou que "haverá tempo para o PT amadurecer", acrescentando que "não há acordo, do meu ponto de vista, com o [vice-presidente Hamilton] Mourão".

Também pré-candidato à presidência em 2022, mas pelo Cidadania, o senador Alessandro Vieira (SE) declarou que o único caminho na democracia fora dos extremos é por meio da união.

Governador de São Paulo, João Doria, chega a ato contra Bolsonaro  - Juliana Arreguy/UOL - Juliana Arreguy/UOL
Governador de São Paulo, João Doria, chega a ato contra Bolsonaro
Imagem: Juliana Arreguy/UOL

O governador de São Paulo João Doria (PSDB), que tenta a sorte nas prévias partidárias de olho na eleição, chegou mais tarde no ato. Sob gritos de "presidente" e "vacina" e "fora Bolsonaro", falou sobre defesa da democracia, imunização coletiva e resistência à ditadura militar.

"Foi São Paulo que foi buscar vacina. Ao invés de comprar cloroquina, São Paulo que comprou vacina para salvar o Brasil", disse. "Vacina no braço e comida no prato", continuou.

Antes de discursar, ao UOL, minimizou o palco dividido com outras pretensas candidaturas à presidência no próximo ano. Questionado sobre o evento servir de palanque antecipado, discordou.

"Não vejo assim. Vejo a presença de todos no espírito democrático de defender a democracia", disse, acrescentando que deve se lançar a presidenciável do PSDB nas prévias, ainda este ano.

Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) defendeu ser necessário apresentar um posicionamento no atual momento, embora acredite que um impeachment de Bolsonaro seja difícil. Questionado pelo UOL sobre como estão as conversas para candidatura ao Planalto para o próximo ano, ele falou: "Estão acontecendo".

Assim como Mandetta, o ex-presidente do partido Novo e presidenciável em 2018, João Amoedo falou do carro do Vem Pra Rua e frisou que o impeachment de Bolsonaro é difícil de acontecer, por conta do seu apoio na Câmara dos Deputados, mas não impossível — daí a importância do povo nas ruas.

'Pixuleco' gera disputa na Paulista

Havia bandeiras do MBL, do Vem Pra Rua, do PDT e outros movimentos como o Livres. À venda nos varais da avenida, bandeiras com o símbolo da monarquia, a favor da ex-vereadora do PSOL Marielle Franco eram vendidas.

O movimento Vem Pra Rua entrou em atrito com os outros organizadores do ato paulista ao levantar um pixuleco — como ficaram conhecidos os bonecos infláveis usados em manifestações — contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Usando roupa listrada associada à usada por presidiários, o petista aparece amarrado a Jair Bolsonaro (sem partido), que usa uma camisa de força.

A deputada estadual Isa Penna, que contrariou seu partido ao confirmar presença no ato, reclamou da quebra de acordo, uma vez que a sua participação e a de outros nomes à esquerda estava condicionada ao abandono do mote "Nem Bolsonaro nem Lula" que pautou as primeiras convocatórias.

"A gente foi junto com o MBL para fazer eles tentarem baixar o pixuleco. Mostramos a ata da reunião", disse Penna. Contudo, o boneco inflável só foi esvaziado no final da tarde quando o público da Paulista já se dispersava. Segundo o representante do Vem Pra Rua, Augusto Schiavetto, o movimento foi questionado por integrantes do MBL sobre o boneco inflável, mas não acatou o pedido.

"Eu vim fazer esse gesto ousado, de fazer coisas impossíveis pelo processo de impeachment", disse. "O MBL vazou meu celular pessoal, acordei de madrugada com 6 mil mensagens. Teve um super ataque que fizeram e disseminaram."

Presidente da UNE, Bruna Brelaz, e as deputadas, Isa Penna (PSOL) e Tabata Amaral (sem partido) participam de ato contra Bolsonaro - Juliana Arreguy/UOL - Juliana Arreguy/UOL
Presidente da UNE, Bruna Brelaz, e as deputadas, Isa Penna (PSOL) e Tabata Amaral (sem partido) participam de ato contra Bolsonaro
Imagem: Juliana Arreguy/UOL

A senadora Simone Tebet disse ao UOL que o ato representa "a verdadeira cara do Brasil". "Um Brasil plural que aceita conviver na divergência. Principalmente quando nosso principal bem, a democracia, está sob ataque", disse.

No palco, a deputada federal Tabata Amaral (sem partido-SP, a terceira na foto acima) falava sobre a necessidade de um processo de impeachment. Ela mencionou dificuldades como a corrupção, a inflação e o próprio risco à democracia.

"O Congresso ouve as ruas. Impeachment já. Fora Bolsonaro", disse.

Rosa Maria Batista e o marido Manoel em Copacabana - Carolina Farias/UOL - Carolina Farias/UOL
Rosa Maria Batista e o marido Manoel em Copacabana
Imagem: Carolina Farias/UOL

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, manifestantes começaram a se reunir às 10h, e ocuparam parte de uma das vias da avenida Atlântica, à beira da praia, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

.A baixa adesão do público já era esperada pelos movimentos. Meggy Fernandes, da organização do ato por parte do Vem Pra Rua, disse que o movimento não chegou a fazer estimativa de público. "Estava dentro do esperado. Não dava para concorrer com um ato como foi o do Bolsonaro que pagou lanche e ônibus para os manifestantes", disse a organizadora.

Eleitores que se dizem arrependidos e outros que afirmam ter votado nulo em 2018 compõem a manifestação, que começou disputando o espaço com banhistas e praticantes de esportes, em um dia em que a orla tem tradicionalmente uma pista fechada para a prática de atividades físicas.

"O foco é uma terceira via. Aqui é realmente pela democracia, não como foi em 7 de setembro, que teve um discurso de uma falsa democracia", disse Rodrigo Chame, jornalista, um dos organizadores do protesto por parte do movimento Vem pra Rua. Ele é um dos que se dizem arrependidos de ter votado em Bolsonaro. O manifestante faz referência aos atos realizados em 7 de setembro, nos quais Bolsonaro fez ameaças golpistas.

Manifestantes ocupam parte de uma das vias da avenida Atlântica, a beira da praia, em Copacabana - Carolina Farias/UOL - Carolina Farias/UOL
Manifestantes ocupam parte de uma das vias da avenida Atlântica, a beira da praia, em Copacabana
Imagem: Carolina Farias/UOL

MG, ES e BA

Manifestantes também se reuniram em outros estados, como Minas Gerais, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Imagens divulgadas pelo MBL nas redes sociais mostram boa parte do público vestido de branco. Um grupo de representantes do PDT participaram do ato com bandeiras e camisetas de Ciro Gomes.

Em Salvador, filiados do PDT, Novo e do Livres se uniram em protesto no Farol da Barra, mas o ato teve pouca adesão de algumas dezenas de pessoas. Cenário semelhante se repetiu na capital do Espírito Santo, Vitória, em que pessoas se reuniram na Praça do Papa pela manhã.

Em São Luís do Maranhão, as pessoas protestaram contra Bolsonaro na avenida Litorânea, em um ato que durou cerca de duas horas na parte da manhã.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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