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Queiroga não vai à CPI por estar 'convertido ao negacionismo', diz Randolfe

Do UOL, em São Paulo

13/10/2021 08h55Atualizada em 13/10/2021 18h45

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, disse ontem considerar mais importante ouvir o médico Carlos Carvalho, que coordenou um estudo contra o uso do chamado "kit covid", do que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que, nas palavras do senador, é um "convertido ao negacionismo". A declaração foi dada em entrevista à GloboNews.

O kit covid é defendido pelo governo federal e usa substâncias com ineficácia comprovada no tratamento do coronavírus, como cloroquina e ivermectina.

Queiroga seria ouvido pela terceira vez. No entanto, a comissão desistiu de ouvi-lo. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, avaliou que Queiroga não contribuiria muito. "Palco para bolsonarista", disse ele.

"O Marcelo Queiroga que prestou depoimento no começo da CPI, ali pelo meio de maio, não é o Marcelo Queiroga de hoje. O Marcelo Queiroga original foi um que eu ouvi uma declaração do tipo 'máscara pode ser tão eficaz quanto vacinação'. O Marcelo Queiroga de hoje disse o seguinte 'olha, máscara não pode ser obrigatório' (...) Eu gostaria até que sua Excelência não fosse ao final do relatório indiciada, mas ele dá elementos por omissão, várias, de que tenderá a ser indiciado", disse Randolfe.

A decisão de ouvir o doutor Carlos Carvalho é que a CPI tem que triunfar sobre o negacionismo. Tem que deixar um recado claro aos brasileiros dizendo o seguinte: os que insistiram nisso, mesmo a ciência tendo dito que não tinha eficácia, criminosos são. E devem responder pelos crimes que praticaram Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

O estudo de Carvalho foi encomendado pelo governo e seria analisado no início de outubro pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), órgão do Ministério da Saúde, mas foi removido de pauta.

Randolfe também comentou as discussões sobre a convocação de Walter Braga Neto entre os membros da CPI da Covid. "Eu adoraria ouvir Braga Neto na CPI, mas entendo temor que alguns colegas tiveram", afirmou ele.

General do Exército, Braga Netto foi coordenador do comitê de enfrentamento à pandemia do governo federal, quando estava à frente da Casa Civil.

Em agosto, uma operação que mobilizou diversos senadores aliados do governo impediu que o ministro fosse convocado para prestar esclarecimentos à comissão.

A CPI da Covid está em sua fase final no Senado. A previsão é que o texto final da comissão seja entregue e lido no próximo dia 19.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.