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Política

Ex-aliado de Bolsonaro defende orçamento secreto, mas pede transparência

Colaboração para o UOL, no Rio

24/11/2021 11h56Atualizada em 24/11/2021 15h28

O deputado federal Delegado Waldir (PSL-GO) disse a Fabíola Cidral, Josias de Souza e Leonardo Sakamoto, no UOL Entrevista de hoje, que o chamado orçamento secreto precisa de mais transparência. Ao defender a existência das emendas do relator, identificadas pela sigla RP9 no Orçamento da União, o ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ex-líder do PSL na Câmara disse que a forma como elas são conduzidas na Casa causa uma desigualdade entre os parlamentares.

"(É necessário) fazer com que a RP9 seja de todo o parlamento e não de um pequeno grupo ligado aos presidentes Rodrigo (Maia, presidente da Câmara na época da criação do orçamento secreto), (Arthur) Lira (atual presidente da Câmara), Rodrigo Pacheco (presidente do Senado) e (Davi) Alcolumbre (presidente do Senado na época da criação da medida)", afirmou Waldir.

O deputado pede mais transparência na destinação desses recursos. Ele cita a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender o pagamento das emendas de relator no orçamento deste ano e pedir clareza sobre sua destinação.

A sociedade quer saber como funciona os bastidores do parlamento... Todo mundo quer transparência. Essa transparência vai mostrar que na Câmara 20, 40, 60 parlamentares são beneficiados com R$ 200, R$ 300 milhões de extra, e os demais são a plebe
Delegado Waldir

Ao falar sobre as diferenças entre os valores recebidos pelos parlamentares em emendas através da RP9, o deputado diz que criou-se um sistema de "casta" no Congresso Nacional.

"Alguns são parlamentares de elite e outros são o clero", disse Waldir.

Waldir afirmou que a existência de barganhas "sempre foi a forma de fazer política" no país. Ele elenca nomeações em ministérios e indicações a cargos em empresas públicas também como uma forma do governo ter apoio do Congresso.

Não vou ser hipócrita... em todas as maiorias é feita dessa forma... (o orçamento secreto) foi aprovado pelo parlamento, inclusive com voto da oposição. Aprovou na Câmara, no Senado, o presidente da República sancionou. É algo que está na lei, não é algo criminoso... é imoral, ilegal, (porque) poucos parlamentares controlam
Delegado Waldir

Compra de votos

Ainda no UOL Entrevista, o deputado federal confirmou as revelações feitas ao Intercept no último sábado (21), quando afirmou que o governo federal pagou de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões em emendas através do orçamento secreto para cada parlamentar que votou a favor da eleição de Lira, em fevereiro, e da Reforma da Previdência, em novembro do ano passado.

"(Esse esquema) é uso de recursos pelo governo federal ou pelo parlamento para formar maiorias. Se você entender que isso é compra de votos...", afirma Waldir.

De acordo com o deputado, a negociação do valor e quem se beneficia com as emendas de relator é feia pelos presidentes da Câmara e do Senado juntamente com os líderes de cada partido. Definido a rubrica, segundo ele, os parlamentares são orientados a votar a favor da proposta do governo.

"(Para eleição do Lira) foi ofertado R$ 10 milhões. Cada deputado pode indicar inicialmente R$ 10 milhões", afirmou Waldir.

Waldir disse que o valor repassado ao parlamentar é usado em emendas para projetos através dos ministérios. De acordo com ele, dos R$ 20 milhões que poderia ter recebido por ter votado a favor da Reforma da Previdência, só teve direito a usar R$ 450 mil. Ele atribui a diferença do valor por causa de um racha no PSL, em 2019, quando passou a fazer parte de um grupo dissidente no partido.

Fui o único líder que não recebeu o valor (R$ 20 milhões pela aprovação da Reforma da Previdência) em razão daquela divergência que o Eduardo (Bolsonaro) não conseguiu indicação para assumir a Embaixada dos Estados Unidos, e o presidente (Luciano Bivar) decidiu dar a liderança do PSL de presente para ele. Eu contestei e o grupo político que eu estava foi prejudicado, e eu o mais prejudicado, e não recebemos essas emendas
Delegado Waldir

PEC dos Precatórios

Ao falar sobre a aprovação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados, no início do mês, Waldir diz que tomou conhecimento de que vários parlamentares teriam direito a R$ 10 milhões. Ele cita dois partidos da oposição que teriam feito parte do esquema.

"PSB, PDT... é só você ver as votações. Quem votou na PEC dos Precatórios, você acha que votou porque acha a matéria interessante? É só você pegar as votações, fazer um acompanhamento", disse Waldir.

O deputado afirmou que as negociações dos parlamentares dissidentes do PSL com o governo para apoio à PEC dos Precatórios foram feitas por um deputado escolhido por eles.

No diálogo em relação aos precatórios não foi o Vitor Hugo (GO) que dialogou pelo grupo dissidente do PSL, que vai formar o União Brasil. Foi um parlamentar que foi indicado para dialogar com o presidente Lira
Delegado Waldir

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