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Moro critica Bolsonaro: Sabotou e comemorou fim da prisão em 2ª instância

10.nov.2021 - O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, durante evento de filiação ao Podemos - Adriano Machado/Reuters
10.nov.2021 - O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, durante evento de filiação ao Podemos Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

30/11/2021 08h31Atualizada em 30/11/2021 20h10

O presidenciável e ex-ministro do governo Bolsonaro Sergio Moro (Podemos) declarou que Jair Bolsonaro (sem partido) "comemorou" o fim da prisão em segunda instância em 2020. O ex-juiz também afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, que o governo do qual fez parte até abril do ano passado sabotou o seu plano de combate à corrupção.

Em novembro de 2019, por 6 votos a 5, o STF (Supremo Tribunal Federal) mudou de entendimento e vetou a prisão de condenados em segunda instância. Um dia depois, beneficiado pela decisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi solto na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba, após determinação da Justiça Federal.

"Se houvesse um Planalto comprometido com o tema [de combate à corrupção], ele seria um contraponto, teria influência tanto no Congresso como junto ao Supremo Tribunal Federal. E ao contrário, como eu coloco no próprio livro, o Planalto de certa maneira comemorou o fim da prisão em segunda instância. O presidente inclusive proibiu o filho dele de se manifestar a respeito", declarou Moro ao Estadão.

Ele lançará um livro de memórias nesta semana, no qual faz ataques a Bolsonaro e ao ex-presidente Lula .

E completou: "Então é algo absolutamente paradoxal e essas contradições estão muito claras. Essa, inclusive, também é uma das razões da minha saída do governo. Eu fiquei lá, defendi minhas posições, defendi o que o povo brasileiro esperava, que era o fortalecimento do combate à corrupção, e fui vendo esse plano sabotado paulatinamente. Até o momento em que houve a interferência na Polícia Federal, aí eu perdi qualquer motivo para permanecer no governo".

Durante a entrevista, Moro reforçou diversas vezes que não teve apoio do Palácio do Planalto para combater a corrupção em sua passagem pelo ministério da Justiça do governo Bolsonaro.

Moro deixou o cargo de ministro da Justiça em abril de 2020 após o presidente decidir exonerar o então diretor-geral da PF (Polícia Federal) Maurício Valeixo, profissional de confiança do ex-juiz. À época, Moro disse que Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal. Segundo a colunista do UOL Carla Araújo, Bolsonaro prestou depoimento no início deste mês e negou interferência no órgão.

Para o ex-ministro, a pasta está sofrendo um "desmantelamento" desde a sua saída.

"O que eu busquei retardar, enquanto estava como ministro da Justiça, para proteger a Polícia Federal, a instituição, mas também o país, porque a Polícia Federal é uma instituição relevante para o país e em mãos erradas ela pode gerar diversos problemas, infelizmente houve esse desmantelamento", comentou ao jornal.

Apesar do que o ex-juiz da Operação Lava Jato chama de "retrocessos" no combate à corrupção, Moro disse ser necessário respeitar as decisões do STF e explicou que nunca encarou "essas questões como uma derrota pessoal".

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