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Com Moro, Podemos mira insatisfeitos de PSDB, PL e União Brasil para 2022

10.nov.21 - Cercado de integrantes do Podemos, o ex-juiz Sergio Moro se filia ao partido em evento em Brasília  - Adriano Machado/Reuters
10.nov.21 - Cercado de integrantes do Podemos, o ex-juiz Sergio Moro se filia ao partido em evento em Brasília Imagem: Adriano Machado/Reuters

Lucas Valença

Do UOL, em Brasília

05/12/2021 04h00

O Podemos, partido do ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato à Presidência, tem feito um mapeamento de dissidentes e filiados insatisfeitos de outras legendas, que deverão ser convidados a se juntar à sigla para as eleições de 2022.

Os partidos com maior número de possíveis dissidentes, na avaliação de integrantes da cúpula da legenda e que também têm trabalhado na construção da candidatura de Moro, são o PSDB, o PL e o futuro União Brasil (resultado da fusão do PSL-DEM, que ainda precisa do aval da Justiça).

Segundo afirmou ao UOL a presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu (SP), "são os parlamentares de outros partidos" que têm procurado o Podemos.

Com a recente confusão nas prévias eleitorais organizadas pelo PSDB, que escolheu o governador de São Paulo, João Doria, como pré-candidato a presidente, há a expectativa de que muitos integrantes, em especial, de estados do Nordeste, deixem a legenda.

Com promessa de autonomia de votação no Congresso, o Podemos tentará convencer deputados tucanos a mudar de partido. Os parlamentares do PSDB têm vivido um conflito interno na legenda ao votar contra posições da Executiva Nacional do partido.

Resultado da fusão entre o PSL, antigo partido do presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), e o DEM, o União Brasil será um dos focos da abordagem do Podemos pelos problemas internos vividos pela nova legenda, que deverá ser homologada em fevereiro pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em entrevista recente ao UOL, o futuro presidente da nova legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE), afirmou que uma possível união com o Podemos, MDB e PSDB, formando uma única chapa da chamada terceira via nas eleições de 2022, não está descartada.

Recém-filiado ao PL, o presidente Jair Bolsonaro (RJ) já começou a levar parlamentares e aumentar o número de filiados do partido do chamado centrão.

Mas à medida que bolsonaristas aderem à legenda, muitos integrantes da legenda, em especial, os que perderam funções estratégicas no partido, devem ser convidados a ir para o Podemos.

Em busca de presença nacional

O mapeamento feito por integrantes do Podemos já conta com uma relação de políticos do Norte e Nordeste a serem convidados para a legenda em 2022.

Com forte presença no Sul do país, em especial, no Paraná, onde elegeu os três representantes do estado no Senado (Alvaro Dias, Oriovisto Guimarães e Flávio Arns), o Podemos ainda possui mais espaço nas demais regiões.

No caso de políticos com mandato, o convite deverá se concretizar em março do ano que vêm, quando a janela partidária entra em vigor.

Insatisfeito com a fusão entre o DEM e o PSL, o governador do Goiás, Ronaldo Caiado, tem estreitado relações com o Podemos, partido que o apoiou durante a sua então candidatura ao governo do estado em 2018.

Neste caso, o Podemos regional tenta negociar um apoio do governador ao candidato ao Senado pelo Podemos. A vice-governadoria também é disputada.

Campanha de Moro

Ainda sem uma base operacional definida, os senadores Álvaro Dias e Oriovisto Guimarães, ambos próximos do ex-juiz da Lava Jato, têm trabalhado na escolha dos nomes que vão integrar a equipe de Moro.

Por enquanto, a pré-campanha do ex-ministro tem contado com a atuação de funcionários do Podemos e servidores ligados a parlamentares do partido.

A partir de dezembro, o ex-ministro da Justiça e atual vice-presidente estadual do Podemos no Paraná receberá um valor mensal bruto de R$ 22 mil do partido (R$ 15 mil com descontos). Até novembro deste ano, Moro era contratado pela consultoria norte-americana Alvarez & Marsal.

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