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RJ: PL atrai aliados de Bolsonaro e articula reeleição de Romário e Castro

O presidente Jair Bolsonaro e o governador do Rio, Cláudio Castro - Reprodução/ Twitter
O presidente Jair Bolsonaro e o governador do Rio, Cláudio Castro Imagem: Reprodução/ Twitter

Igor Mello

Do UOL, no Rio

10/12/2021 04h00

A chegada do presidente Jair Bolsonaro ao PL deve sacudir o tabuleiro eleitoral do Rio de Janeiro em 2022. O partido espera saltar de um ator menor para o posto de maior força política no estado, atraindo até nove deputados federais e sete estaduais alinhados ao bolsonarismo.

De quebra, o PL conta com o apoio do clã Bolsonaro para viabilizar a reeleição de Cláudio Castro ao governo do Rio e de Romário ao Senado. Para isso, terá o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente com mais capacidade de articulação no estado, como uma espécie de eminência parda no partido.

Segundo Altineu Côrtes, presidente estadual do PL no Rio, há negociações avançadas para a chegada de deputados federais e estaduais na janela partidária, que ocorrerá no primeiro semestre de 2022.

O partido negocia para receber os seguintes parlamentares:

Deputados federais: Hélio Lopes (PSL), Carlos Jordy (PSL), Luiz Lima (PSL), Major Fabiana (PSL), Sargento Gurgel (PSL), Márcio Labre (PSL), Vinícius Farah (MDB), Sóstenes Cavalcante (DEM) e Juninho do Pneu (DEM).

Deputados estaduais: Anderson Moraes (PSL), Charlles Batista (PSL), Filippe Poubel (PSL), Márcio Gualberto (PSL), Rodrigo Amorim (PSL), Dr. Serginho (Republicanos) e Rosane Felix (PSD).

Acordo com Romário e Castro

Um dos momentos decisivos para a chegada de Jair Bolsonaro ao PL foi um encontro que o presidente e seu filho Flávio tiveram com Altineu e o senador Carlos Portinho (PL-RJ).

No encontro, ficou acordado que o clã Bolsonaro não teria palanque dividido no estado —o compromisso é que o presidente peça votos para Cláudio Castro na corrida pelo Palácio Guanabara e para Romário na disputa pelo Senado.

Em troca, os dois colocarão seus grupos de apoio a serviço da reeleição de Bolsonaro.

Foi oferecida a Flávio Bolsonaro a possibilidade de assumir a direção estadual do PL, mas o senador —investigado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sob a acusação de desviar salários de assessores na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro)— rejeitou a oferta, sob o argumento de que irá se dedicar à campanha do pai.

Apesar disso, Flávio terá um papel importante nas articulações do PL do Rio para 2022, sobretudo na elaboração das nominatas (seleção de candidatos) para a disputa por vagas na Câmara dos Deputados e na Alerj.

Pazuello e Queiroz miram candidaturas

O partido também se comprometeu a receber aliados de Bolsonaro e Flávio no Rio. Além dos bolsonaristas com mandato, o PL deve ser a casa dos integrantes do círculo mais próximo do presidente que tentarem se eleger.

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello estuda uma candidatura a deputado federal pelo Rio, assim como o ex-segurança e hoje assessor presidencial Max Guilherme —uma das figuras mais próximas de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto.

Na lista de cotados para disputar a eleição pelo partido há ainda Fabrício Queiroz, pivô do escândalo da rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro. Como revelou a colunista do UOL Juliana Dal Piva, Queiroz vem se aproximando do PL e também considera a possibilidade de tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

No fim de semana passado, o ex-assessor de Flávio foi presença ilustre na festa de aniversário do deputado estadual Rodrigo Amorim —conhecido por quebrar uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco durante a campanha de 2018— na quadra da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.

Queiroz foi chamado ao palco por Amorim e o irmão —o vereador Rogério Amorim (PSL)— e posou para fotos com outros políticos, como o também deputado estadual Gustavo Schmidt (PSL).

O gesto de Amorim foi interpretado como uma forma de quebrar resistências ao seu nome no grupo de Flávio Bolsonaro. Outrora muito próximo do senador, ele se tornou persona non grata no clã presidencial após ficar ao lado do então governador fluminense Wilson Witzel no rompimento com Bolsonaro.

"Amorim, na realidade, estava acordado de vir para o partido, mas vai ter que ter uma conversa para estar todo mundo de acordo com a vinda dele", admite Altineu Côrtes.

Crescimento no Rio

Caso as filiações se concretizem, o PL salta de um partido médio para a condição de o maior do estado às vésperas da eleição de 2002. Na Câmara, a bancada saltaria dos atuais quatro para 13 deputados federais —se tornando a maior bancada no estado.

O mesmo aconteceria na Alerj: hoje só com um parlamentar, o partido passaria a ocupar sete cadeiras cadeiras —Charlles Batista é suplente e deixará o mandato quando Dr. Serginho sair do comando da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia para se reeleger.

O plano do PL é claro: se consolidar como a principal força política do estado, ocupando o papel que outrora foi do PMDB de Sérgio Cabral e Jorge Picciani.

Desde que a Operação Lava Jato feriu de morte o grupo político do ex-governador, diversas lideranças fluminenses, como o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o ex-governador Wilson Witzel (PSC) tentaram ocupar esse vácuo de poder, mas não obtiveram sucesso.

Segundo o senador Carlos Portinho, que assumiu o mandato após a morte de Arolde de Oliveira por covid-19, o governador Cláudio Castro já vinha trabalhando na expansão do partido como forma de viabilizar sua reeleição.

"O governador teve o mérito de pacificar a política do Rio, fazer um governo agregador. Está num partido que possui capilaridade, tem hoje 21 prefeitos, fora os vice-prefeitos", diz.