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2 meses

Magnotta: Bolsonaro 'maravilhado' com Biden é deslumbre, alívio e exagero

Do UOL, em São Paulo

10/06/2022 09h01

A professora de Relações Exteriores e colunista do UOL Fernanda Magnotta avaliou hoje como "deslumbre, alívio e exagero" a fala feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) que se disse "maravilhado" com o líder americano, Joe Biden.

O encontro entre os dois políticos ocorreu durante a Cúpula das Américas, em Los Angeles (EUA), nesta quinta-feira (9), quase um ano e meio depois de Biden assumir como 46º presidente os Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2021.

[O encontro] é uma mistura de deslumbre, alívio e exagero. Deslumbre que já vem de outros Carnavais, independentemente da relação pessoal entre Bolsonaro e o [ex-presidente Donald] Trump. A gente sabe que o presidente brasileiro tem uma afinidade ideológica, simbólica e de valores com os Estados Unidos. Ele, já de outras épocas, demonstra essa vontade de se aproximar desse país. Fernanda Magnotta, colunista do UOL, no programa UOL News

"Alívio, porque, de certa maneira, o convite para o Brasil veio numa tentativa meio desesperada de Biden de evitar o esvaziamento dessa reunião e que o brasileiro aproveitou essa oportunidade para estabelecer condições. Ele estava muito preocupado com as cobranças que iria sofrer em relação a questões como a Amazônia e as eleições", prossegue.

Então, na medida em que o script foi mais ou menos cumprido, os temas foram tocados, mas sem gerar aquelas cobranças públicas, isso, sem dúvida, foi gerando uma certa condição favorável. E exagero, porque a gente sabe que desse encontro não gerou nenhuma certa estratégia a longo prazo. Fernanda Magnotta

De acordo com o colunista Jamil Chade, Bolsonaro já tentava um encontro com mandatário dos EUA meses após as eleições norte-americanas, sempre sem êxito.

Ao lado de Biden, o presidente criticou o que chamou de "política do fique em casa, a economia a gente vê depois" ao justificar a situação econômica do país e alta da inflação nos alimentos, que pressiona as faixas mais pobres da população.

Bolsonaro também disse ao presidente americano que o Brasil está "à disposição" para construir uma saída para o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que teria agravado o cenário econômico brasileiro.

"Lamentamos os conflitos [na Ucrânia], mas eu tenho um país para administrar. E pela sua dependência, temos sempre que sermos cautelosos, porque as consequências econômicas da pandemia, com a equivocada política do 'fique em casa, a economia a gente vê depois', agravada por uma guerra a 10 mil quilômetros de distância do Brasil, são danosas para todos nós, e lá no Brasil, em especial para os mais humildes", afirmou, na ocasião.

Amazônia e democracia

Na abertura da reunião bilateral entre os presidentes, Biden afirmou que o Brasil possui instituições eleitorais fortes, e é uma "democracia vibrante". Na introdução do encontro, o norte-americano garantiu que os países possuem "valores compartilhados".

Segundo o presidente dos EUA, há interesse em ajudar o Brasil na recuperação econômica. Biden adiantou também que falaria de questões climáticas e ambientais com Bolsonaro.

"Vocês tentam proteger a Amazônia e acredito que o resto do mundo precisa ajudar a fazer essa preservação porque é uma responsabilidade muito grande. Gostaria de ouvir sua opinião sobre essa questão", disse Biden a Bolsonaro.

Logo após as declarações dos dois presidentes à imprensa, os jornalistas foram orientados a deixar a sala de conferências sem que suas perguntas fossem respondidas. Antes do encontro, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, disse que Biden abordaria a realização de "eleições democráticas, transparentes e abertas" com Bolsonaro. Já o presidente do Brasil pretendia mostrar ao colega a importância do país para a segurança alimentar do planeta, e defenderia o que vem sendo feito pelo país na questão ambiental.

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