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Senado instala comissão para apurar mortes de Bruno e Dom

Rafael Neves

Do UOL, em Brasília

20/06/2022 12h21Atualizada em 20/06/2022 13h48

O Senado instalou, no final da manhã de hoje, uma comissão especial para apurar o contexto em torno das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips. O colegiado, que tem um prazo de trabalho de 60 dias, tem o objetivo de investigar "as causas do aumento da criminalidade e de atentados contra povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos e jornalistas na região Norte e em outros estados".

A comissão será presidida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos principais opositores na Casa ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). O relator será Nelsinho Trad (PSD-MS), e o vice-presidente será Fabiano Contarato (PT-ES).

A criação da comissão foi aprovada no plenário do Senado há uma semana, quando as mortes de Dom e Bruno ainda não estavam confirmadas. O grupo de senadores deverá ir pessoalmente ao Amazonas para acompanhar as apurações.

O colegiado aprovou hoje convites para ouvir o ministro da Justiça, Anderson Torres, e representantes da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), que representa os povos habitantes do território, no extremo oeste do estado do Amazonas. As audiências devem ocorrer na próxima quarta-feira (22).

A terra indígena do Vale do Javari, que é a segunda maior do país, abriga pelo menos 26 povos. Sete deles têm contato regular com a sociedade externa, mas a maioria é de povos isolados, cuja existência vem sendo ameaçada por atividades criminosas na região.

Investigações

Ontem, a Polícia Federal subiu para oito o número de suspeitos investigados pelo crime. Segundo a PF, foram identificados mais cinco homens que teriam ajudado a enterrar os corpos da dupla, mas os nomes deles ainda não foram revelados.

Até o momento, três homens foram presos. O primeiro é Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como "Pelado", que foi detido em flagrante no dia 7, por porte de munição de uso restrito. Mais tarde, ele confessou envolvimento nas mortes e deu detalhes sobre o crime.

O segundo suspeito preso é o pescador Oseney da Costa de Oliveira, irmão de Amarildo e conhecido como "Dos Santos", preso no dia 14. Ele negou ter participado do assassinato.

Já o terceiro, Jefferson da Silva Lima, conhecido como "Pelado da Dinha", se entregou por volta de 6h de ontem, após saber pela própria família que a polícia o procurava. Ele é apontado como participante direto do duplo homicídio, e teria ajudado na ocultação dos corpos.

A PF descarta que haja um mandante ou uma organização criminosa por trás das mortes, o que é refutado pela Univaja. A entidade, primeira a se mobilizar nas buscas por Dom e Bruno, aponta "crime político" e pede a continuidade das investigações.

"As autoridades competentes, responsáveis pela proteção territorial e de nossas vidas, têm ignorado nossas denúncias, minimizando os danos, mesmo após os assassinatos de nossos parceiros, Pereira e Phillips", afirma a Univaja.

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