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Mourão minimiza possível CPI do MEC: 'Todo mundo pensando em eleição'

Presidente da República Jair Bolsonaro cumprimenta o vice Hamilton Mourão - Alan Santos/PR
Presidente da República Jair Bolsonaro cumprimenta o vice Hamilton Mourão Imagem: Alan Santos/PR

Do UOL, em São Paulo

27/06/2022 12h30

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Republicanos), disse nesta segunda-feira (27) que considera difícil a instauração da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a suspeita de corrupção e tráfico de influência no MEC (Ministério da Educação). Segundo o general, isso ocorre porque estaria todo mundo pensando nas eleições.

"Acho complicado porque está todo mundo pensando em eleição. Mais aí 3 meses e tem essa eleição. Então, eu acho que falta tempo para isso aí progredir. Está bem? Acho também que não vai para frente", disse Mourão a jornalistas.

Mourão também afirmou que a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, ocorrida na quarta-feira, não deve influenciar negativamente na campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ribeiro foi liberado por determinação da Justiça um dia depois.

"Eu julgo que não [vai prejudicar a campanha de Bolsonaro], até porque ela [a prisão] durou pouco tempo e foi algo, na minha visão, um tanto quanto apressada, uma decisão que talvez não fosse a melhor, colocar uma prisão preventiva aí, indícios fracos dos prováveis crimes. [Vamos] guardar o trabalho de investigação que está sendo feito pela Polícia Federal e pelo Ministério Público", ressaltou.

A operação da Polícia Federal batizada de "Acesso Pago", e que culminou com a prisão de Milton Ribeiro, apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência na liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Ribeiro deixou o cargo no ministério no final de março, uma semana após a divulgação, pela Folha de S. Paulo, de um áudio em que ele afirma que o governo federal priorizava prefeituras ligadas a dois pastores —que não têm vínculo formal com a gestão pública. (entenda as suspeitas clicando aqui)

Um esquema para liberação de verba coordenado por dois pastores sem cargos públicos que envolveu até suspeita de propina em ouro está no centro das denúncias que culminaram na operação da PF. Na quinta (23), após pedido da defesa, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) ordenou a soltura do ex-ministro.

Agora, a oposição no Senado tenta colher a quantidade necessária de assinatura para a abertura da CPI.

"Boto a minha cara no fogo pelo Milton"

À luz das primeiras denúncias sobre o caso, reveladas pelos jornais O Estado de São Paulo e Folha de S.Paulo em março, Bolsonaro chegou a declarar que colocaria "a cara no fogo" pelo ex-ministro, considerado de confiança até então.

O Milton, coisa rara eu falar aqui, eu boto a minha cara no fogo pelo Milton. Minha cara toda no fogo pelo Milton.
Jair Bolsonaro (PL), em março de 2022, em defesa ao então ministro Milton Ribeiro

Na ocasião, Bolsonaro ainda classificou como "covardia" a pressão para que Milton Ribeiro deixasse o cargo —o que aconteceu no dia 28 de março —e disse que a situação expressava, em sua visão, a falta de corrupção em seu governo.

"Por que não tem corrupção no meu governo? Porque a gente age dessa maneira. A gente sempre está um passo a frente. Ninguém pode pegar alguém e dizer 'ó, você está desviando'. Tem que ter prova, poxa, se não é uma ação contra a gente", afirmou.

Na transmissão realizada nas redes sociais, na última quinta-feira, Bolsonaro admitiu ter exagerado nas palavras.

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