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Filho de Cabral era 'gerente' de quadrilha de cigarros, diz TV

José Eduardo Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, deixou o prédio em que morava horas antes da Polícia Federal comparecer ao local para prendê-lo - Reprodução/TV Globo
José Eduardo Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, deixou o prédio em que morava horas antes da Polícia Federal comparecer ao local para prendê-lo Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

28/11/2022 08h20

José Eduardo Cabral, filho do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e um dos alvos da Operação Smoke Free, da Polícia Federal, atuava como um "gerente" de uma organização criminosa de venda de cigarros — envolvimento que levou à sua prisão na última quinta-feira (24).

Os detalhes da operação foram mostrados em uma reportagem do Fantástico, da TV Globo. A matéria relata que a PF identificou que Zé Cabral, como é conhecido, emitia notas fiscais falsas, determinava práticas de extorsão, ameaçava comerciantes e enviava dinheiro ao exterior.

O esquema envolvia a distribuição de cigarros de empresas ligadas a Adilson Oliveira, apontado como líder do grupo, com compras "obrigatórias" por parte de comerciantes.

Segundo a PF, o grupo é acusado de transportar e vender cigarros oriundos de facções e milícias. A quadrilha é responsável por um prejuízo à União estimado em cerca de R$ 2 bilhões.

"Essa intimidação fazia com que o grupo tivesse vantagem do monopólio no comércio de cigarros naquela região", disse Luiz Carlos Júnior, delegado da PF no Rio, à reportagem.

O delegado afirma que Zé Cabral se dirigia a Adilson Oliveira como "chefe" ou "patrão". Em uma das mensagens interceptadas pelos agentes, o filho do ex-governador diz a Adilson que o patrão "ganhou um fã e soldado de verdade".

José Eduardo Cabral se entregou à polícia na quinta-feira (24). Imagens obtidas pela TV Globo mostram que ele deixou o condomínio em que mora na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, horas antes dos agentes da PF irem a sua residência com o mandado de prisão.

Já Adilson Oliveira está foragido da polícia, que afirma que ele está nos Estados Unidos.

Esquema já vinha sendo monitorado pela PF. Entre 2019 e 2022, o grupo fazia lavagem do dinheiro obtido ilicitamente e remetia altas cifras ao exterior de forma irregular.

A PF diz que a quadrilha ainda tinha uma célula paralela de segurança, coordenada por policiais federais e militares e bombeiros.

A PF também cumpriu ordens de bloqueio, sequestro e apreensão de bens, avaliados em cerca de R$ 300 milhões. Dentre os bens, estão imóveis, veículos de luxo, criptomoedas, dinheiro em espécie, valores depositados em contas bancárias, entre outros.

Os investigados podem responder pela prática de crimes de sonegação fiscal, duplicata simulada, receptação qualificada, corrupção ativa e passiva, lavagem de capital e evasão de divisas. Somadas, as penas chegam a 66 anos de prisão.