Em Dubai, Lira tentará vender agenda verde como aceno à 'Faria Lima'

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pretende aproveitar a COP-28 para atrair investidores estrangeiros para o Brasil. Para isso, quer destacar os avanços feitos pelo Congresso em políticas de geração de energia elétrica com fonte eólica e painéis solares no mar.

O que aconteceu

O país busca protagonismo na disputa por investimentos para propostas sustentáveis e de proteção ambiental. O presidente da Câmara viaja para Dubai, nos Emirados Árabes, nesta segunda (4) para participar da 28ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

Lira quer fazer um aceno para a chamada "Faria Lima". O UOL apurou que parte da estratégia do deputado é aproveitar a participação no evento internacional para demonstrar ao mercado financeiro brasileiro que sua gestão tem efeitos econômicos positivos para o país. Lira já tem participado de eventos organizados pela "Faria Lima", como os da XP Investimentos, Monte Bravo e Esfera Brasil, para falar sobre os temas.

Além do avanço da reforma tributária, Lira quer usar a bandeira de aprovar projetos sustentáveis. A transição energética para reduzir a emissão de gases poluentes é uma das principais preocupações dos investidores internacionais para impulsionar a economia verde.

De acordo com aliados, Lira busca fortalecer o 'currículo' visando o seu futuro após deixar o comando da Câmara, em 2025. O movimento é similar ao feito pelo ex-presidente Rodrigo Maia, que atualmente é diretor-presidente da CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras).

Agenda verde

Lira organizou uma semana de esforço concentrado para votar a "agenda verde", com propostas de temática sustentável. Na agenda do deputado estão previstos encontros com empresas e associações do setor de energia, combustível, portuário e bioinovação, como Acelen, DP World, Abbi e Abema.

A ideia inicial era apresentar projetos sustentáveis na COP. A conferência sobre o clima começou no dia 30 de novembro e vai até 12 de dezembro.

Os deputados, contudo, só aprovaram dois projetos: o do hidrogênio verde para produzir energia com baixa emissão de carbono e o das regras da geração de energia elétrica com fonte eólica e painéis solares no mar.

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Foi aprovado também um trecho que incentiva o uso de usinas movidas a carvão no sul do país.

Lira também pretendia aprovar o projeto que cria o fundo verde com dinheiro de créditos tributários para financiar projetos de desenvolvimento sustentável. Entretanto, não houve consenso entre os líderes sobre o texto, e o Ministério da Fazenda pediu mais prazo para analisar os impactos financeiros da medida.

Mesmo sem aprovação, a relatora da proposta, Marussa Boldrin (MDB-GO), viajou para a COP para apresentar o conteúdo. A ideia é votar o texto após a conferência, junto com os projetos do mercado de carbono e combustível do futuro.

Potencial verde

O Brasil tem potencial para gerar 700 GW de energia eólica, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica. Atualmente, China (31,44 GW) e Reino Unido (13,92) lideram entre os países que produzem energia eólica no mundo, diz a associação.

Existem 78 projetos inscritos no Ibama para análise de licenciamento ambiental que representam 189 GW de potencial energético instalado no litoral brasileiro.

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