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Bolsonaro só teve contato com minuta do golpe fora do governo, diz advogado

O advogado Paulo Bueno afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) só teve contato com a chamada "minuta do golpe" quando ele já estava fora do governo federal.

O que aconteceu

Para o defensor, usar a fala do ex-presidente no ato de domingo como reconhecimento de culpa seria sinal de "pobreza" de provas e da fragilidade da investigação tocada pela Polícia Federal. As declarações foram dadas nesta terça (27), em frente à sede da PF em São Paulo.

Bolsonaro prestou depoimento hoje em São Paulo sobre possível crime ambiental. O inquérito investiga se o ex-presidente incomodou uma baleia jubarte. O episódio ocorreu em junho de 2023 durante passeio de moto aquática dele em São Sebastião (SP).

O advogado Daniel Tesser disse que o ex-presidente fez um depoimento "tranquilo" e que foi bem-recebido pela PF. "Não houve importunação [à baleia] nem nenhuma das hipóteses de tipo de penal que estão sendo imputadas ao presidente em razão do avistamento da baleia", afirmou. Bolsonaro não falou com a imprensa.

Ao chegar à PF, o assessor e advogado Fábio Wajngarten — que também prestou depoimento — elogiou o ato de domingo na Paulista. Para ele, foi uma "demonstração de força política do presidente e de seu grupo". Sobre o inquérito de importunação da baleia jubarte, Wajngarten disse que "estava distante, auxiliando uma embarcação que teve pane de motor porque o motor aspirou areia".

O que disseram

Esse assunto [minuta] já foi explicado tempos atrás, dias atrás, que as minutas a que o presidente se referia foram encontradas na sala do PL por ocasião da busca e apreensão 15 dias atrás. Foram minutas que eu, enquanto advogado, encaminhei para ele no dia 18 outubro de 2023. Portanto ele comentava sobre algo que ele teve conhecimento, que ele teve ciência muito tempo depois.
Paulo Bueno, advogado de Bolsonaro

Se as autoridades veem nisso [discurso de domingo] uma forma de confissão, a defesa entende que o que se assiste é realmente a uma pobreza muito grande de elementos nessa investigação semissecreta à qual a defesa não tem acesso. E, ao que parece, não tem acesso justamente pela fraqueza dos elementos.
Paulo Bueno, advogado de Bolsonaro

O presidente nem sabia dessa proibição [de se aproximar da baleia], mas tomou todas as precauções a partir do momento que avistou a baleia, que é o que a lei determina.
Fábio Wajngarten, advogado do presidente

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Investigação apura possíveis crimes ambientais

Há suspeita de "molestamento intencional" de baleias no passeio em São Sebastião. A ação foi aberta após circularem nas redes vídeos da moto aquática com motor ligado se aproximando da jubarte.

A defesa do ex-presidente nega. Segundo o advogado Eduardo Kuntz, os esclarecimentos prestados devem resultar no encerramento do caso — que, para ele, nem deveria ter sido aberto.

A moto aquática teria ficado a 15 metros da baleia. Vídeos e fotos divulgados em redes sociais comprovariam a informação, segundo a procuradora Marília Soares Ferreira Iftim.

O condutor pilotava o veículo a uma distância inadequada e ainda gravava com o celular. "Atribui-se a identidade desta pessoa, supostamente, ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro", diz trecho da abertura do procedimento, publicado no ano passado.

O ex-presidente passou o feriado de Corpus Christi naquela região em 2023. Na ocasião, ele se encontrou com o vereador Wagner Teixeira, que foi multado pelo Ibama por "desrespeito às regras de observação de baleias".

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Depoimento foi transferido do litoral norte de São Paulo para a capital. Os interrogatórios estavam marcados para o início de fevereiro e aconteceriam na sede da PF em São Sebastião, mas foram transferidos para hoje na cidade de São Paulo. Um grupo de apoiadores se reuniu no local e chegou a rezar pelo ex-presidente.

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