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Inspirada em 'Diário de Classe', médica de GO relata problemas de posto de saúde no Facebook

Lourdes Souza

Do UOL, em Goiânia

08/11/2012 11h10

As deficiências de um posto de saúde da região oeste de Goiânia extrapolaram os limites do bairro e estão sendo discutidas por pessoas de todo o país. Desde o dia 1º de de outubro, o cotidiano da Unidade de Atenção Básica Saúde da Família Vera Cruz tem sido relatado no Facebook, na página “Diário de um Posto de Saúde” criada pela médica Luisa Portugal, de 25 anos.

A vontade de divulgar os problemas do posto surgiu após Luisa conhecer a página “Diário de Classe”, feita pela estudante Isadora Faber, de 13 anos, sobre a rotina da Escola Básica Maria Tomázia Coelho, em Florianópolis, Santa Catarina. “O meu objetivo é levantar discussões sobre a saúde pública e sua gestão. A ideia é discutir, porque só assim podemos atingir as pessoas e conseguir mudanças. Às vezes, o que falta é comunicação”.

Pouco mais de um mês no ar, a página de Luisa alcançou 3.703 seguidores e parece ter gerado benefícios para o posto. A postagem de denúncias sobre a falta de estrutura da unidade mobilizou a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, que enviou materiais como lençóis, papéis e sabonetes e solicitou que Companhia de Limpeza Urbana retirasse o lixo que estava nos fundos do posto.

“Não sei se foi mérito da página, mas por coincidência foram questões que levantei nos últimos dias.” Pela troca de informações com outros profissionais da rede municipal de saúde, Luisa diz que há unidades que ainda não receberam os mesmos materiais que o posto do Vera Cruz 2.

Para a médica recém-formada e que está em seu primeiro emprego, a interação é importante porque os desafios diários da saúde pública são imensos. “A minha principal conquista é as pessoas falarem do assunto. A chegada de materiais é ótima, mas a discussão é melhor. Pelo Facebook, profissionais de Goiânia, São Paulo e outras localidades estão criando uma rede de informações”.

  • Reprodução/Facebook

    Imagem postada no Facebook mostra profissional do posto de saúde (que não é faxineiro) lavando a sala, já que só há um funcionário para a limpeza

  • A médica Luisa Portugal, de 25 anos, que decidiu relatar o cotidiano do posto de saúde de Goiânia no Facebook; secretaria diz que apoia a iniciativa

Por mês, a equipe de Luisa atende cerca de 300 pacientes de todas as idades. Na unidade, a média de atendimentos mensal chega a 4.000 famílias. Uma realidade que, de acordo com ela, demandaria estrutura e higiene impecáveis. “Mas não é isso que acontece. Há falta de materiais, eu e outros médicos chegamos a levar sabonetes de casa para o trabalho, de profissionais e segurança”.

Ela conta que a unidade tem apenas um profissional para a limpeza no período da tarde. Pela manhã, não há a prestação do serviço. Porém, diz que no departamento de recursos humanos consta que o posto possui cinco profissionais contratados. “O que ocorre é que quatro foram transferidos para a recepção e ficamos sem o serviço de limpeza”.

A médica denuncia, ainda, a ausência de segurança no posto. Segundo ela, a unidade possui apenas uma entrada, que é utilizada por pacientes e profissionais do local, e nenhum tipo de segurança.

Luisa diz que até agora os relatos não geraram conflitos no ambiente de trabalho. “Na unidade, todo mundo me apoiou, mas isso não significou mudanças na nossa rotina. Ainda existem muitos problemas a serem resolvidos e acredito que tem uma série de soluções baratas e fáceis que não são feitas, mas que podemos discutir”.

Apoio

A iniciativa de Luisa recebeu o apoio da Secretaria de Saúde de Goiânia (SMS), que, em nota, avaliou a página como uma atitude proativa e de envolvimento com a saúde pública.

A Secretaria considera o "Diário de um Posto de Saúde" como mais um mecanismo de controle social e indicador para a própria gestão, no sentido de acompanhar e avaliar decisões a serem tomadas para a melhor qualidade do serviço público de saúde.

Segundo informações divulgadas pela SMS, na unidade do Vera Cruz 2, assim como nas demais unidades da rede, já estão sendo realizados encontros da administração com profissionais para solucionar as deficiências na infraestrutura e buscar a melhor qualidade no atendimento.

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