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Ida ao exterior preocupa mais que Carnaval, diz ministro sobre coronavírus

Felipe Amorim e Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

26/02/2020 12h58

Resumo da notícia

  • Preocupação maior é com infecção pelo novo coronavírus em outros países
  • "Aqui as pessoas estão dentro de um bioma em equilíbrio", disse o ministro da Saúde
  • Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de coronavírus no país
  • Homem se encontra em isolamento domiciliar, em São Paulo

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse hoje que há uma preocupação maior com pessoas que viajam ao exterior e uma possível infecção pelo novo coronavírus em outros países do que com a transmissão da doença causada pelo vírus durante as festas de Carnaval realizadas no Brasil.

"A nossa preocupação sempre foi as pessoas saírem do Brasil, porque aqui as pessoas estão dentro de um bioma em equilíbrio", disse Mandetta.

O Ministério da Saúde confirmou, na manhã de hoje, o primeiro caso de coronavírus no país, após a contraprova dar resultado positivo: trata-se de um homem de 61 anos que esteve na Itália e passou pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele se encontra em isolamento domiciliar.

Até o momento, o país tem 20 casos suspeitos do novo coronavírus —ao menos 12 deles são pessoas que vieram da Itália.

Segundo Mandetta, a letalidade do coronavírus é menor que a de outras epidemias de gripe enfrentadas no passado.

"É uma gripe, que vamos ter que atravessar, é mais uma gripe que a humanidade vai ter que atravessar", afirmou.

"Das gripes históricas, com letalidade maior, ela se comporta bem, há menor [letalidade]. Ela tem uma transmissibilidade similar a determinadas gripes que a humanidade já superou", disse o ministro.

Mandetta afirmou ainda que as autoridades de saúde vão avaliar o comportamento do vírus no verão do hemisfério sul, onde os países apresentam temperaturas mais altas que na China, que atravessa o inverno do hemisfério norte.

"Agora nós vamos ver como esse vírus vai se comportar num país tropical, em pleno verão", disse o ministro. Segundo ele, as autoridades de saúde também estão monitorando pessoas que tiveram contato com o paciente que teve a infecção confirmada.

Mandetta afirmou que as pessoas que estavam sentadas nas duas fileiras à frente do paciente no voo em que ele estava serão contatadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Tratamento do coronavírus

Com sintomas semelhantes ao de um resfriado, como febre, tosse e falta de ar, a infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) ainda não tem um tratamento específico. Não há, portanto, nenhum remédio ou vacina contra a doença.

Para casos confirmados da doença, o Ministério da Saúde recomenda repouso e consumo de bastante água. Outras medidas, no entanto, podem ser adotadas para aliviar os sintomas:

  • Repouso e consumo de bastante água
  • Uso de medicamento para dor e febre, como antitérmicos e analgésicos
  • Uso de umidificador no quarto ou tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garganta e tosse

Prevenção do coronavírus

As medidas de prevenção da infecção pelo novo coronavírus envolvem, no geral, cuidados básicos para reduzir o risco de se contrair ou transmitir infecções causadas por vírus respiratórios:

  • Higiene frequente das mãos com água e sabão ou preparação alcoólica.
  • Não compartilhar utensílios de uso pessoal, como toalhas, copos, talheres e travesseiros
  • Evitar tocar olhos, nariz e boca sem higienização adequada das mãos.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, com cotovelo flexionado ou utilizando-se de um lenço descartável.
  • Ficar em casa e evitar contato com pessoas quando estiver doente.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência

Nancy Bellei, médica infectologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que o uso de máscara só é recomendado para pacientes com contaminação suspeita e confirmada, para pessoas próximas que tenham contato direto com essas pessoas e para os profissionais da saúde.

"Se tiver um caso confirmado em casa, você tem muito mais chance de adquirir [a doença], então tem uma série de cuidados: tentar colocar essa pessoa dormindo em um quarto sozinha, só uma pessoa da familia cuidar dessa pessoa. Quem cuida deve usar uma máscara", diz.

Já no ambiente público, segundo ela, não faz sentido o uso de máscara por quem não tenha tido contato com algum caso suspeito da doença. "Não há nenhuma evidencia de que isso traga alguma proteção ou que seja necessário".

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