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Coronavírus

Bolsonaro mostra remédio feito com hidroxicloroquina em reunião do G20

26.mar.2020 - O presidente Jair Bolsonaro deixou à mostra uma caixa de um remédio feito com hidroxicloroquina -  Marcos Corrêa/PR
26.mar.2020 - O presidente Jair Bolsonaro deixou à mostra uma caixa de um remédio feito com hidroxicloroquina Imagem: Marcos Corrêa/PR

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

26/03/2020 13h23Atualizada em 26/03/2020 14h22

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou à mostra uma caixa de um remédio feito com hidroxicloroquina, substância que ainda está em fase de testes no combate ao coronavírus, durante reunião com líderes do G20. O encontro foi realizado hoje de forma virtual.

A hidroxicloroquina é amplamente utilizada no combate ao lúpus e à artrite reumatoide e tem sido estudada como um potencial agente de combate à pandemia do coronavírus. Mesmo sem comprovação quanto à eficácia, Bolsonaro tem se revelado um entusiasta da substância.

Ontem (25), pelo Twitter, o presidente afirmou que remédios com hidroxicloroquina e azitromicina "têm se mostrado eficaz nos pacientes ora em tratamento". "Nos próximos dias, tais resultados poderão ser apresentados ao público, trazendo o necessário ambiente de tranquilidade e serenidade ao Brasil e ao mundo", escreveu o mandatário.

Na contramão das manifestações de Bolsonaro, o Ministério da Saúde pediu que a população não use o medicamento como medida de prevenção, tanto da hidroxicloroquina quanto de uma substância derivada, a cloroquina. Ambas estão em fase de testes.

A corrida de pessoas sem doenças que precisam de uso contínuo dos remédios, como lúpus e artrite, às farmácias fez com que a cloroquina sumisse das prateleiras. O ministério foi obrigado a emitir um alerta contra a automedicação.

Também ontem, a pasta informou que vai começar a aplicar hidroxicloroquina em casos graves de covid-19. O tratamento será específico de curto prazo para oferecer "alguma alternativa" para os doentes.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, observou que, apesar do uso da substância na resposta aos casos mais graves, a hidroxicloroquina não deve ser utilizada de forma irresponsável e em casa.

"Usar esse medicamento fora do ambiente hospitalar não é seguro. Deve ser feito em condições de segurança e acompanhamento médico, porque pode ter alterações no ritmo do coração."

Reuquinol 400 mg

O remédio que Bolsonaro exibiu durante o encontro com os líderes do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, é o Reuquinol (caixa de 400 mg). Segundo a fabricante, a Apsen, o medicamento é vendido com prescrição e é indicado para:

  • Afecções reumáticas e dermatológicas (reumatismo e problemas de pele);
  • Artrite reumatoide (inflamação crônica das articulações);
  • Artrite reumatoide juvenil (em crianças);
  • Lúpus eritematoso sistêmico (doença multissistêmica);
  • Lúpus eritematoso discoide (lúpus eritematodo da pele);
  • Condições dermatológicas (problemas de pele) provocadas ou agravadas pela luz solar

O Planalto ainda não esclareceu o motivo pelo qual o presidente brasileiro exibiu a caixa de Reuquinol no decorrer da reunião.

Após o encontro virtual, o G20 anunciou um investimento de R$ 5 trilhões na economia global para enfrentar os efeitos da crise que tem se alastrado pelo mundo devido ao avanço do coronav´vírus.

A injeção de recursos abrangerá políticas fiscais direcionadas e medidas de garantia no enfrentamento de "impactos sociais, econômicos e financeiros da pandemia".

"A magnitude e o escopo dessa resposta colocará a economia global em pé novamente e estabelecerá uma base sólida para a proteção do emprego e a recuperação do crescimento", informaram os membros do G20 em uma declaração conjunta.

Bolsonaro ainda não se manifestou sobre a participação na teleconferência. Ele vem sendo criticado no Brasil e na comunidade internacional pela postura negacionista em relação à gravidade do coronavírus.

Ontem, o presidente brasileiro disse que pretende alterar o tipo de quarentena que tem sido recomendada para impedir que o coronavírus se espalhe ainda mais pelo país. Segundo ele, a ideia é incentivar um "isolamento vertical", e não o "horizontal", como estaria ocorrendo.

O mandatário defendeu que a medida seja adotada a idosos e pessoas do grupo de risco, e que parte dessa responsabilidade cabe aos filhos. Também criticou o Congresso, voltou a atacar os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e disse que até mesmo a "normalidade democrática" estaria sob ameaça.

As declarações ocorreram na saída do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, um dia após Bolsonaro ter feito pronunciamento em que defendeu o fim das medidas de quarentena nas cidades, adotando postura na contramão das orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

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