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Jovem morre por coronavírus no RJ: 'atenciosa e religiosa', diz amiga

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

16/04/2020 11h28

Após passar mais de duas semanas internada, morreu ontem Kamylle Ribeiro, de 17 anos - vítima mais nova de covid-19 no Rio de Janeiro. A jovem morava em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense - uma das últimas cidades a aderir o isolamento social para combater a pandemia de coronavírus.

A mãe de Kamylle, Germaine Ribeiro, também teve a doença, mas se recuperou e segue bem em casa.

De acordo com amigos, a jovem começou a apresentar os primeiros sintomas no mês passado, ficou em isolamento e, após seu quadro de saúde se agravar, foi levada para o hospital Moacyr do Carmo, na mesma cidade, onde ficou internada no CTI (Centro de Tratamento Intensivo).

Uma amiga da jovem, que pediu para não ter o nome divulgado, descreveu Kamylle como uma pessoa parceira.

"Na última vez que nos falamos, ela ainda estava em casa e disse que sentia o corpo muito estranho. Ela reforçou o pedido para que eu não saísse e ficasse em segurança. Acho que ela não cogitava que o quadro dela fosse se agravar. Foi um susto para todos nós. Kamylle era uma amiga atenciosa, religiosa, presente para o que precisasse."

Nas redes sociais, outros amigos definiram a jovem como muito companheira da mãe, uma menina alegre e muito carinhosa com o irmão mais novo. Kamylle se preparava para o vestibular e queria cursar medicina. Ela frequentava a Primeira Igreja Batista no Parque Eldorado, em Caxias.

Uma prima da jovem, Lucy Ribeiro Santos fez um desabafo na internet.

"Sim, pode ser somente uma gripe para alguns. Mas para outros custa a vida. Quando é só estatística, a gente só observa ... mas quando falamos de um familiar, no caso uma prima minha, dói na alma. Uma jovem com todo futuro pela frente...que Deus nos console (...) Acreditem, esse vírus mata", publicou a parente no Facebook.

Nas redes sociais, enquanto Kamylle ainda estava internada, a família compartilhava pedidos para que as pessoas permanecessem em casa.

"Esse vírus não é brincadeira. Eu sou uma vítima do coronavírus, minha filha também. Eu já estou em casa, minha filha continua no respiradouro no hospital. Vamos orar por todos que estão internados, entubados e precisando de oxigênio, antibióticos e cuidados no hospital", postou a mãe, uma semana antes de a filha falecer.

No último domingo (12), Germaine fez a última postagem na internet. Ela disse que aguardava boas notícias sobre o quadro de saúde da filha que respirava com ajuda de aparelhos. Germaine já havia perdido o pai recentemente, vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Covid-19 no RJ

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde, até ontem foram registrados 3.743 casos da doença e 265 óbitos em decorrência do coronavírus no estado do Rio de Janeiro. Outras 114 mortes ainda estão em investigação.

A cidade de Duque de Caxias, onde morava Kamylle, é a quinta cidade com maior número de infectados no estado (121) e a segunda com maior registro de mortes (20).

O prefeito da cidade, Washington Reis, é um dos infectados na região. Ele está internado no hospital Pró-cardíaco, em Botafogo, na zona sul do Rio. Enquanto o governo estadual determinava medidas de isolamento na capital, Caxias foi flagrada diversas vezes com comércio aberto e estabelecimentos cheios durante o avanço da pandemia no estado.

O maior número de casos está concentrado na capital: 2.519 registros e 167 óbitos.

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