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Coronavírus

Empresas testam covid-19 para volta ao escritório; imunidade não é certeza

Funcionários que já tiverem imunidade à covid-19 eventualmente voltarão a trabalhar de forma presencial -  Lucas Ninno/Getty Images
Funcionários que já tiverem imunidade à covid-19 eventualmente voltarão a trabalhar de forma presencial Imagem: Lucas Ninno/Getty Images

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

28/04/2020 04h01

Resumo da notícia

  • Empresas contratam testes para saber quais funcionários já têm imunidade à covid-19
  • A ideia é que quem já tenha sido curado da doença possa voltar a trabalhar presencialmente
  • Pelo menos 25 empresas que operam em São Paulo adotaram a prática
  • OMS acredita que maior parte dos curados crie resistência contra a doença
  • Mas ainda não é consenso quanto tempo essa proteção dura, nem qual o nível

Ao menos 25 empresas em São Paulo compraram testes de imunidade ao covid-19 para determinar quais funcionários voltarão a trabalhar presencialmente. As companhias partem do pressuposto de que quem já se infectou pelo novo coronavírus não pegaria a doença novamente — embora o consenso científico, como alertou a OMS (Organização Mundial de Saúde) no último fim de semana, seja de que essa imunidade seja provável, mas não certa.

As empresas, de médio e de grande porte, já entraram em contato com laboratórios para a realização dos testes, conforme identificou levantamento da reportagem junto a três dos maiores do setor na cidade.

O banco Santander, por exemplo, pretende testar funcionários de cargos de direção e gerência, para que eles possam voltar a trabalhar presencialmente. A intenção foi anunciada pelo presidente do banco no Brasil, Sergio Rial, no começo de abril durante uma live.

Imunidade é provável, mas não é certeza

Por tratar-se de um vírus novo, a comunidade científica ainda não sabe exatamente como o corpo humano se comporta após vencê-lo: a imunidade à covid-19 pode funcionar como a do sarampo, que dura a vida inteira; ou como a da gripe comum, que dura cerca de dez meses.

No fim de semana, a OMS criticou países que pretendem lançar "passaportes de imunidade" — documentos emitidos por médicos que autorizariam curados a deixar a quarentena.

A organização afirmou que é esperado que a "maioria das pessoas infectadas pela covid-19" desenvolva anticorpos que deem algum tipo de proteção contra a doença.

"O que ainda não sabemos é qual o nível de proteção ou por quanto tempo ele durará", escreveu a organização.

Em São Paulo, Jean Gorinchteyn, médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, fez ressalvas sobre as incertezas sobre o tempo e o nível de proteção adquirida pelos curados, mas classificou a iniciativa das empresas privadas de positiva.

"Para as empresas que têm condições de fazer isso, é excelente", disse à reportagem.

"Ajuda a saber quantas pessoas deste ambiente de trabalho estariam contaminadas, saber quem deve se manter afastado ou não", afirmou.

Na última semana, a Coreia do Sul anunciou que mais de 180 pessoas voltaram a testar positivo para a covid-19 mesmo após terem se recuperado da doença. Segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças do país (KCDC), os casos de recaída testados "têm pouca ou nenhuma transmissibilidade", ou seja, não representariam risco de transmitir o coronavírus a outras pessoas.

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