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RJ: mortes por covid crescem 30% em semana anterior à reabertura

31.mai.2020 - Movimentação intensa no calçadão da praia de Ipanema - ELLAN LUSTOSA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
31.mai.2020 - Movimentação intensa no calçadão da praia de Ipanema Imagem: ELLAN LUSTOSA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio

01/06/2020 19h31

Enquanto o governo estadual e a prefeitura divulgam plano de reabertura da economia e de áreas de lazer, o estado e o município do Rio continuam a verificar aumentos de novas mortes por coronavírus a cada semana. O número de casos também é ascendente, apesar da baixa testagem na população da região.

Tanto na capital quanto no estado o aumento de óbitos verificado entre 25 e 31 de maio em relação ao total de mortes cresceu no patamar de 30%. No estado, foram verificadas 1.351 mortes no período —o que representa um aumento de 34% ante as 3.993 mortes verificadas até o começo da semana passada. Já a cidade do Rio teve 823 novas mortes no período de uma semana também encerrado em 31 de maio —o equivalente a alta de 30% ante os 2.775 óbitos registrados até então na capital.

O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) anunciou hoje plano de reabertura gradual a partir de amanhã. Já o governador Wilson Witzel passa a flexibilizar o isolamento na próxima segunda-feira (8). Diferentemente do Rio, países como a Alemanha só começaram a adotar medidas de relaxamento do isolamento social quando foi constatada queda consistente no número de infectados e mortes.

Foram 1.351 mortes no estado do Rio na semana que se encerrou no último domingo (31). Em média, foram 193 óbitos por dia no período, conforme mostra o painel de monitoramento da Fiocruz. Em comparação, a semana anterior teve 1.278 mortes, com média de 182 óbitos por dia, o que comprova que ainda há crescimento de casos por período.

A diferença é que houve uma redução da aceleração semanal —sempre comparada com o total de mortes registradas. Antes, as mortes subiam na casa de 60% a cada semana. Agora, estão na casa dos 30%.

Já o número de casos tem crescido, com 15 mil novos infectados por semana. Esse ritmo tem sido mantido nos últimos 15 dias, quando houve aumento do número de testes.

O cenário é parecido na capital, apesar de o prefeito Crivella ter dito que a epidemia estava arrefecendo na cidade. No período de uma semana, também encerrada em 31 de maio, a cidade do Rio teve 823 novas mortes —leve queda em relação à semana anterior, com 864.

Assim como no estado, o crescimento das mortes na cidade foi próximo de 30% em uma semana em relação ao total de mortes registradas até então (2.755). Nas semanas anteriores, esse salto nos óbitos era entre 60% e 70%. O dado comprova contudo que continua a haver crescimento, ainda que de forma menos acelerada.

E a mortalidade por coronavírus no município atinge dados ainda preocupantes do que os vistos no estado. Segundo dados da prefeitura, foram 53 mortes por 100 mil habitantes. Uma comparação com outros países, por exemplo, mostra que esse dado é próximo da Espanha, Reino Unido e Itália. —as nações mais atingidas do mundo se considerada a proporção pela população.

Não é habitual reabertura na ascensão da epidemia, critica infectologista

O infectologista Victor Porto, mestre em medicina tropical e saúde internacional pela London School, entende que é difícil saber exatamente o ponto da epidemia do Rio pela imprecisão de dados. As mortes, por exemplo, não ocorreram no mesmo dia da divulgação. Ele ressalta no entanto que os indicativos são de que a epidemia continua crescendo no estado e na capital.

"O Rio de Janeiro aparenta estar em ascensão. Não é usual uma reabertura nesse período. Mas o estado e o município têm acesso mais oportuno aos dados. Ou seja, eles têm maior capacidade de diagnosticar seu cenário epidemiológico", analisou, completando que reaberturas costumam ocorrer quando a curva de mortes e infecção cai significativamente.

Porto diz ainda que o dado de leitos disponíveis por coronavírus —usado por Crivella para justificar o relaxamento— só é um bom indicativo quando associado a outros números da epidemia.

"Esse dado isolado tem pouco valor [isolado]. Doze por cento de ocupação em um cenário de epidemia estável ou em declínio é ótimo. Em um cenário onde a epidemia está em franca ascensão, pode ser péssima, uma vez que a covid-19, quando não temos medidas de distanciamento implementadas, chega a dobrar a cada três a cinco dias", completou.

De acordo com o último boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro divulgado hoje, o estado do Rio registra 54.530 casos confirmados e 5.462 mortes por coronavírus. Há ainda 1.288 óbitos em investigação. A capital tem o maior o número de infectados pela doença, com 30.014 casos —ou 55% do total. Quanto às mortes, a liderança também é da cidade do Rio, com 3.671 registros —ou 67,2% do total.

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