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Covid: Saúde muda plano e recomenda procurar médico nos primeiros sintomas

Objetivo é diminuir o agravamento de casos e aliviar atendimentos hospitalares - RICARDO MORAES
Objetivo é diminuir o agravamento de casos e aliviar atendimentos hospitalares Imagem: RICARDO MORAES

Do UOL, em São Paulo

09/07/2020 19h07

O Ministério da Saúde mudou a estratégia do combate ao novo coronavírus: ao invés do paciente com suspeita aguardar em casa a manifestação mais presente dos sintomas, a orientação agora é para que a pessoa procure atendimento médico tão logo os sinais da covid-19 sejam percebidos.

A ideia é evitar que pacientes sejam atendidos já com casos mais graves. Segundo Elcio Franco, secretário-executivo do Ministério da Saúde, há estrutura suficiente para atender à demanda.

"As unidades estão preparadas. Foram criados os centros de triagem, os centros comunitários. Estamos pela atenção primária. Estamos financiando também o estabelecimento desses centros. Estamos reforçando toda a estrutura de atenção primária com médicos contratados pelo programa Mais Médicos. Tudo isso foi feito visando a oportunizar à população o atendimento precoce", disse Franco.

"As evidências no Brasil e no mundo mostraram que, quando se busca o atendimento numa fase inicial da doença, a gente consegue evitar o agravamento. As evidências apresentam resultados consistentes nesse sentido. Por isso mudou a estratégia no ministério. Antes se dizia que o paciente, ao sentir sintomas leves, que permanecesse em casa. Só que a velocidade de agravamento pode ser muito rápida, e o paciente pode chegar ao hospital para ir direto para a UTI e ser intubado", acrescentou.

Para Franco, é importante que o paciente busque atendimento na atenção primária "para que possa ter esse atendimento" já nos primeiros sintomas, "evitando a sobrecarga das estruturas hospitalares, das unidades de terapia intensiva".

Ainda de acordo com o secretário, a nova diretriz é fruto do aprendizado da pasta com todo o processo da pandemia do novo coronavírus. A meta, deixou claro, é abordar precocemente os casos para evitar o agravamento.

"Aprendemos ao longo da pandemia que, ao aguardar em casa, os pacientes chegam aos hospitais em quadros clínicos mais agravados, e que alguns casos dificultam a regressão de seu estado clinico", argumentou. "O tratamento precoce, no entanto, tem uma resposta mais assertiva, evitando a piora do paciente, diminuindo a necessidade o uso de respiradores."

Pressões médicas

Ao longo da pandemia, tratamentos sem comprovação no combate à covid-19, como a administração da cloroquina, têm sido amplamente debatidos. Embora as evidências científicas não atestem a eficácia da substância contra a doença, o uso é motivo de pressões — não apenas de pacientes sobre médicos, como também de médicos sobre autoridades de saúde.

Na coletiva de hoje, o Ministério da Saúde lembrou a autonomia de médicos e pacientes a respeito de tratamentos. No entanto, para Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos da pasta, é preciso seguir os preceitos da "boa medicina baseada em evidências".

"O paciente tem a sua autonomia, deve ser respeitado. E o profissional tem a prerrogativa e a autonomia em prescrever o tratamento que sua consciência o move a fazer — baseado nas melhores evidências científicas, nos valores compartilhados entre médicos e pacientes, e também em sua experiência profissional", analisou.

Elcio Franco ainda lembrou: o paciente "não é obrigado a consentir", mesmo caso o médico indique determinados tratamentos. "O profissional tem autonomia. Ele não vai prescrever simplesmente porque o paciente fez a pressão, da mesma forma que o paciente não deve aceitar se assim não consentir", afirmou.

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