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'Que as mortes não sejam em vão', diz Edson Fachin sobre crise da covid-19

Para ministro do STF, "a democracia é condição de possibilidade para enfrentar toda e qualquer crise" - Adriano Machado/Reuters
Para ministro do STF, "a democracia é condição de possibilidade para enfrentar toda e qualquer crise" Imagem: Adriano Machado/Reuters

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

30/07/2020 19h54

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou hoje que a democracia é condição para enfrentar a crise do novo coronavírus e disse esperar que "não sejam em vão" as mortes provocadas pela pandemia.

"A democracia é condição de possibilidade para enfrentar toda e qualquer crise, social, econômica, política e também a pandemia da covid-19", afirmou Fachin, em participação em congresso realizado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) sobre as consequências da pandemia.

O ministro disse ter esperança na capacidade de a sociedade encontrar respostas para a crise.

"Nós temos o direito de respirar. Não podemos dizer novamente, com a pandemia como se fosse um joelho sobre nosso pescoço, nós não podemos dizer que não podemos respirar. Nós precisamos desse oxigênio para a sobrevivência da humanidade e de um oxigênio que transmita Justiça e ética e que as mortes não sejam em vão. Essa é minha esperança", disse Fachin.

"Mas há indícios de que despertamos, se o século 20 foi a era dos extremos, torcemos e trabalhamos para que o século 21 não seja o século dos despojos, dos restos de humanidade, da barbárie, dos autoritarismos. Há indícios de um despertar", afirmou o ministro.

A fala faz alusão à morte de George Floyd, homem negro que morreu após um policial o imobilizar com o joelho sobre seu pescoço. Floyd proferiu a frase "eu não consigo respirar" antes de perder a consciência. O episódio, na cidade de Mineápolis, nos Estados Unidos, foi o estopim para a onda de protestos com o mote "vidas negras importam".

Fachin também classificou os tempos atuais como de "recessão democrática" e defendeu que, além da criação de uma vacina, são necessárias políticas sociais para atenuar os impactos da covid-19.

"A resposta não depende apenas de uma vacina. Para a emergência sanitária é preciso ter políticas públicas de saúde, para a emergência social, políticas sociais inclusivas, especialmente na área da educação, para a emergência econômica, políticas de igualdade substancial, para as crises de gestão, no estado e na sociedade, inclusive no Poder Judiciário, transparência integral", disse.

"É nesse sentido que precisamos vivenciar e encontrar respostas que não aumentem a recessão democrática que nós estamos a viver", afirmou o ministro.

Covid-19 no Brasil

O Brasil ultrapassou a marca de 90 mil mortes causadas pela covid-19. O total de vítimas da infecção provocada pelo novo coronavírus chegou a 91.263, de acordo com números divulgados hoje pelo Ministério da Saúde.

Também foram reportados 57.837 novos diagnósticos confirmados de covid-19, o que eleva o total de infectados em todo o país para 2.610.102.

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