PUBLICIDADE
Topo

Coronavírus

Conteúdo publicado há
9 meses

Plano de SP prevê distribuir até 2 milhões de doses da CoronaVac por semana

Leonardo Martins, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

11/01/2021 13h31Atualizada em 11/01/2021 16h47

O governo de São Paulo apresentou hoje detalhes de logística do seu plano estadual de imunização contra a covid-19, que tem início previsto para o dia 25 de janeiro. A expectativa da gestão do governador João Doria (PSDB) é distribuir até 2 milhões de doses por semana da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. O governo federal ainda não divulgou a data de começo da campanha nacional.

Para a distribuição de até 2 milhões de doses semanais, o governo paulista planeja usar um centro de logística para levar as vacinas direto do Butantan aos 200 municípios com mais de 30 mil habitantes. As outras 445 cidades com população menor terão que fazer a retirada em mais 25 centros de distribuição que serão criados.

O governo paulista diz que vai contar com os atuais 5.200 pontos de vacinação para iniciar a campanha e prevê ampliar esse número para 10 mil. Para isso, usará escolas, quartéis da Polícia Militar, estações de trem, terminais de ônibus e farmácias, além da apostar na vacinação no sistema drive-thru.

O horário de funcionamento dos postos também será ampliado, funcionando das 8h às 22h durante a semana e das 8h às 18h aos finais de semana e feriados. Os idosos terão prioridade de atendimento nos primeiros horários pela manhã.

Sobre a disponibilidade de seringas e agulhas, que provocou atrito entre o governo federal e o paulista na semana passada, a gestão de Doria afirma ter 25 milhões de unidades à disposição em estoque, mas prevê ter mais 50 milhões de novas entregas feitas até agosto.

Vacinação em 25 de janeiro

Segundo Doria, o estado trabalha com a possibilidade apenas de adiantar o início da imunização, mas não de atrasá-la. "Em São Paulo, vamos começar a vacinar no dia 25, e, se for possível, e tivermos respaldo da ciência e da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], bom senso e compaixão, iniciaremos antes. E tomara que o Brasil também comece antes", disse o governador durante entrevista coletiva realizada hoje no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Aqui [em São Paulo] temos planejamento, estrutura, condições, recursos, matéria-prima e vacinas para iniciar o programa de imunização dos brasileiros de São Paulo. O que mais desejo é que isso ocorra para brasileiros de todo o Brasil
João Doria, governador de São Paulo

Desabafo

Como tem feito nas últimas, Doria voltou a reclamar que o governo federal não tem uma data marcada para iniciar a campanha de vacinação contra a covid-19. Apesar de afirmar que não há "corrida da vacina" no país, o governador paulista lembrou que a CoronaVac é a única com doses à disposição para começar a imunização — segundo o governo, são quase 11 milhões de vacinas.

"Pergunto: qual é a data prevista para o programa nacional? Alguém é capaz de dizer? Nem jornalistas bem informados são capazes de dizer. Nem você em casa. Porque não há. O governo federal não admite que não tem data para o início do programa nacional", disse Doria.

"Porque insiste em amparar uma decisão científica numa decisão de ordem política, para favorecer interesse eleitoral e ideológico de dizer que essa vacina será a primeira", disse o tucano, potencial rival do presidente Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais do ano que vem

Além da CoronaVac, o Ministério da Saúde conta apenas com a vacina de Oxford para iniciar a imunização pela campanha nacional. O imunizante, porém, dificilmente estará à disposição em breve, já que o governo federal espera uma carga de 2 milhões de doses da Índia, mas que ainda não tem previsão de chegar ao Brasil.

Eficácia parcial

Apesar de ter divulgado uma taxa de eficácia de 78% da CoronaVac na semana passada, o Butantan e o governo de São Paulo usaram um dado ainda incompleto, que não determina a eficácia geral da vacina. O número apresentado foi em relação aos desfechos secundários analisados nos estudos clínicos.

No anúncio dos dados completos prometido pelo governo paulista para amanhã (12), é esperado que a CoronaVac demonstre uma eficácia entre 63% e 68%, o que é considerado mais do que suficiente para uma vacina contra a covid-19. O mínimo exigido para a aprovação da Anvisa é uma proteção com 50% de eficácia.

Coronavírus