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1 mês

SP diz que calendário de vacinação do estado seguirá plano nacional

A enfermeira do hospital Emílio Ribas, Monica Calazans, se tornou ontem a primeira vacinada contra a covid-19 no Brasil - Eduardo Anizelli/Folhapress
A enfermeira do hospital Emílio Ribas, Monica Calazans, se tornou ontem a primeira vacinada contra a covid-19 no Brasil Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Leonardo Martins, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

18/01/2021 14h17

O governo de São Paulo informou hoje que o calendário estadual de vacinação, que havia sido divulgado desde o ano passado para ter início em 25 de janeiro, não valerá mais e seguirá agora o PNI (Plano Nacional de Imunização) contra a covid-19. A CoronaVac foi incorporada ao PNI, ficando a critério do governo federal o cronograma de aplicação das doses.

Os planos do governador João Doria (PSDB) de começar a vacinação na semana que vem foram antecipados após o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a aplicação da vacina do Instituto Butantan, em decisão tomada ontem. Minutos depois, Doria já deu início à vacinação de profissionais de saúde no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

"O programa nacional incorporou a CoronaVac em seu programa, portanto nós seguimos com o programa nacional. Era isso que o governador gostaria", disse Regiane de Paula, coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde, durante entrevista coletiva sobre a pandemia realizada no Palácio dos Bandeirantes, na capital.

Regiane afirmou que Doria quis, desde o início, a incorporação da CoronaVac ao PNI, mas o ministro da Saúde Eduardo Pazuello chegou a ser desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em outubro do ano passado, depois de anunciar um compromisso de compra da vacina, que acabou se concretizando apenas na semana passada.

"O calendário será aquele preconizado pelo programa nacional, o que não muda muito o que vínhamos fazendo."
Regiane de Paula, da Secretaria Estadual da Saúde

As datas, porém, ainda não são conhecidas. Isso porque agora é preciso saber o quantitativo de doses que o governo federal distribuirá para cada estado e em que tempo. Por enquanto, São Paulo conta apenas com cerca de 1,3 milhão de doses da primeira remessa de 6 milhões destinadas ao Ministério da Saúde.

Intervalo maior entre as doses

O calendário estadual de vacinação estava marcado para acontecer de 25 de janeiro a 28 de março. Na sua primeira fase, englobaria profissionais da saúde, indígenas e quilombolas, e logo depois idosos de todas as faixas etárias.

No plano inicial, o tempo de separação das duas doses da CoronaVac seria de 21 dias. Agora, porém, segundo o secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, o PNI deve recomendar um intervalo maior, de 28 dias.

"Vamos continuar consagrando a ciência na aplicação das vacinas. Tem necessidade de duas doses e serão intervaladas em 28 dias para permitir maior eficácia na proteção. Assim conseguiremos proteger a população", disse Gorinchteyn.

Primeiros vacinados

A primeira dose de vacina contra covid-19 foi aplicada ontem, em São Paulo, por iniciativa do governador João Doria, sem a coordenação do governo federal. Logo após receber o aval da Anvisa para uso emergencial, a CoronaVac foi aplicada na enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, no HC (Hospital das Clínicas), em São Paulo.

Mônica é enfermeira e trabalha na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, que fica ao lado do HC, na região da Avenida Paulista. Negra e moradora da Zona Leste da capital, ela permaneceu depois ao lado de Doria durante entrevista coletiva sobre a liberação da CoronaVac e o início da vacinação.

O gesto de iniciar a vacinação em São Paulo foi classificado como "jogada de marketing" pelo ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello.

Além de Mônica, na sequência foram vacinados mais profissionais da saúde, incluindo a primeira indígena, Vanuzia Costa Santos, de 50 anos, que é técnica de enfermagem.

Hoje, a vacinação contra a covid-19 seguiu no HC e é esperado para a tarde o início em cidades do interior paulista como Campinas, Botucatu, Ribeirão Preto, Marília e São José do Rio Preto. Pela manhã, caminhões carregados com vacinas da CoronaVac saíram de um centro de distribuição na capital rumo ao interior.

Já a campanha nacional de vacinação teve o pontapé inicial dado na manhã de hoje com um evento promovido por Pazuello no Centro de Distribuição Logística do Ministério da Saúde em Guarulhos, na Grande São Paulo. Com a presença de governadores —Doria não compareceu e enviou o seu vice, Rodrigo Garcia (DEM)—, o ministro disse que a distribuição das doses estava começando e prometeu para ainda hoje o início da vacinação em outros estados.

Após o fracasso do plano de trazer 2 milhões de doses da Índia da vacina da AstraZeneca/Oxford, o governo federal conta apenas com a CoronaVac para começar a imunização contra a covid-19.

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