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Coronavírus

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1 mês

Infectologista lembra da morte de parentes por covid e se emociona ao vivo

Jamal Suleiman se emocionou ao falar sobre sanidade mental durante a pandemia - Reprodução
Jamal Suleiman se emocionou ao falar sobre sanidade mental durante a pandemia Imagem: Reprodução

Colaboração para o UOL

05/05/2021 07h52

Jamal Suleiman, infectologista do Hospital Emílio Ribas, se emocionou ao vivo ao falar sobre a pandemia de covid-19 hoje. Recentemente ele perdeu dois parentes, o irmão e a cunhada, por causa da doença.

"O que fica, e onde a gente se agarra, é tudo que a gente viveu junto. Não dá tempo. Vou guardá-los eternamente. Cada um de nós tem esse espaço para guardar pessoas que a gente ama. A gente tem que tocar. Desculpa, mas... (emocionado) vai passar. Só não quero que ninguém mais sofra esse impacto", comentou Jamal em entrevista à GloboNews.

O infectologista destacou que a covid-19 tem matado pessoas cada vez mais jovens e pediu para a sociedade não normalizar esse fato.

"Primeiro a gente enterrou nossos pais e avós. Nesse segundo momento a gente está enterrando irmãos e filhos. Isso é muito grave. O apelo é para que a sociedade não entenda isso como um fenômeno normal", pediu ele.

A morte do ator Paulo Gustavo, confirmada ontem à noite, foi citada por Jamal como exemplo do aumento da gravidade da doença.

"É um ator jovem, um indivíduo que faz exercícios, e que permaneceu quase 2 meses internado em UTI por conta de uma doença grave. Isso mostra várias coisas: o deslocamento da infecção para uma faixa mais jovem, a permanência longa na UTI, porque possui reserva maior, e cujo desfecho foi aquilo que se esperava, morte, uma situação ruim para todo mundo. A gente consegue entender o esgotamento da sociedade como um todo. Mas desde o princípio a gente está dando a receita. É um vírus respiratório. São várias coisas que precisam ser feitas. E os órgãos responsáveis erraram todas", analisou Jamal.

Jamal também criticou o ritmo da vacinação contra covid-19 e pediu para que os responsáveis por isso sejam punidos.

"O que acontece no país é inacreditável: negamos, desde meados de ano passado, propostas de vacinas. Pessoas do executivo se colocaram contra medidas óbvias de minimização desse problema. Estamos pagando um preço alto por isso. Que nos unamos todos para ter acesso rápido a esses produtos. Não é razoável que a gente tenha que se submeter a isso", desabafou Jamal.

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