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Conteúdo publicado há
6 meses

Doria anuncia 4ª dose, mas sem prazo: 'Não será imediatamente'

Anna Satie, Henrique Sales Barros e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

09/02/2022 10h45Atualizada em 09/02/2022 14h58

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou hoje que o estado irá aplicar a quarta dose da vacina contra covid-19 em toda a população, "independentemente de recomendação do Ministério da Saúde", mas não deu prazo para a aplicação.

O anúncio da quarta dose foi feito inicialmente em entrevista à rádio Eldorado nesta manhã. Mais tarde, em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, ele disse que não existe um novo cronograma para a aplicação.

Essa será uma vacina necessária todos os anos."
João Doria (PSDB), governador de São Paulo, em coletiva

Sem dar muitos detalhes, Doria afirmou que a quarta dose seguirá a ordem da vacinação por faixa etária.

O secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, apontou, no entanto, que é mais importante garantir que toda a população siga o ciclo vacinal com a terceira dose.

"Entendemos que, nesse momento, temos que focar naqueles que não estão adequadamente imunizados. Temos, neste momento, 2,1 milhões de pessoas que não tomaram sequer a sua segunda dose", afirmou o secretário.

Anúncio em entrevista

Pela manhã, em entrevista, Doria afirmou que vai aplicar a quarta dose em toda a população do estado, mesmo sem determinação do Ministério da Saúde.

"Avançando na segunda dose, possamos iniciar a dose de reforço, a quarta dose, seguindo também uma ordem de faixa etária, como fizemos na terceira dose. Vamos adotar em São Paulo a quarta dose, independentemente de haver ou não recomendação do Ministério da Saúde", disse.

Horas depois, na coletiva, o governador falou que não havia prazo para o novo reforço.

"Não afirmamos que essa quarta dose será aplicada imediatamente. O fato de considerar não quer dizer que se vai aplicar", declarou. "Não houve qualquer afirmativa de que a quarta dose será aplicada imediatamente ou em curto prazo, até porque não vai."

Ao comentar o assunto, Gorinchteyn disse que "quarta dose" não seria o termo correto, mas "dose de reforço", que poderá ser aplicada com certa periodicidade, mas sem qualquer previsão.

"Nós ainda não definimos qual vai ser a estratégia do reforço. Não gostaríamos nem de usar a terminologia de quarta dose. Em qual momento isso vai acontecer, com qual vacina isso vai acontecer, qual será a população alvo: isso está sendo discutido e definido no nosso PEI [Programa Estadual de Imunização]", afirmou.

O epidemiologista Paulo Menezes, coordenador do Comitê Científico, confirmou a importância das doses de reforço —chamadas internacionalmente de "boosters"—, e lembrou que Israel e Chile já aplicam a quarta dose. Segundo ele, no entanto, é mais importante focar na garantia da terceira dose.

"Hoje, estamos avançando bastante nas doses de reforço, temos mais de um terço da população do estado, e mais de metade da população acima de 18 anos com a dose de reforço. Mas só poderemos iniciar a quarta dose com uma boa cobertura da dose de reforço", afirmou Menezes. "Então eu não diria que é algo que vai começar imediatamente, mas vai estar na perspectiva para os próximos meses."

Ministério da Saúde ainda não recomenda

Na última sexta-feira (4), o Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica dizendo que não há dados suficientes para a recomendação da quarta dose da vacina para a população geral. Essa dose de reforço, por enquanto, só está liberada a imunossuprimidos.

Nesta semana, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a pasta discute a aplicação geral de uma quarta dose, mas que ainda não bateu o martelo.

"A área técnica tem discutido. A secretária Rosana [de Melo, da Secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19] conversou comigo na sexta-feira passada e disse que o grupo técnico ainda não avalia aplicar quarta dose, mas, na prática, seria a dose de 2022", disse Queiroga.

A determinação atual da Saúde é para que a população tome a terceira dose contra a covid-19 ——chamada de reforço—respeitando o prazo mínimo de quatro meses após a aplicação da segunda dose. A regra, no entanto, por enquanto só vale para pessoas acima de 18 anos.

Mesmo sem a orientação do Ministério da Saúde, a cidade de Botucatu (SP) começou a vacinar idosos contra a covid-19 com a quarta dose do imunizante na segunda-feira (7), dizendo que esse grupo é predominante entre os internados nas últimas semanas.

Segundo dados do consórcio de imprensa do qual o UOL faz parte, 85,19% da população vacinável de São Paulo já recebeu as duas doses do imunizante.

Estado não deve bater meta de vacinação infantil

Apesar de ter a maior cobertura vacinal infantil do país, São Paulo não deve atingir a meta de vacinação prometida por Doria, que estimou que 100% do público entre 5 e 11 anos receberia a primeira dose em três semanas.

Ao comemorar a aprovação da CoronaVac para o público de 6 a 17 anos, em 20 de janeiro, o governador reforçou —em discurso e nas redes sociais— uma promessa que tinha feito no início do ano: poderia aplicar pelo menos uma dose em todas as 4,3 milhões de crianças do estado, nesta faixa etária, em até três semanas. Nesta conta, o prazo se encerra na próxima quinta-feira (10).

Até o momento, apenas 52,39% das crianças receberam a imunização, de acordo com dados da secretaria estadual de Saúde.

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